quarta-feira, 26 de maio de 2010

Serra cancela agenda no RS em meio a polêmica sobre apoio de PMDB e PDT

Sebastião Ribeiro
Especial para o UOL Eleições
Em Porto Alegre

Ao optar por ir ao Rio de Janeiro hoje, em vez de comparecer ao Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, em Gramado (RS), o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, ajudou a esfriar a polêmica em torno de membros de partidos não-alinhados nacionalmente. Quem aproveitará o mesmo evento amanhã para buscar apoios no Rio Grande do Sul é a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

Embora o presidente regional e vice-presidente nacional do PSDB, Cláudio Diaz, afirme que a desistência de participar do Congresso tenha sido apenas “uma tomada de decisão rotineira na agenda”, sem relação com conflitos partidários no Estado, voluntária ou involuntariamente Serra deu mais tempo para que possíveis dissidentes peemedebistas possam anunciar apoio a sua candidatura.

Se é contra....pode ser até fofoca

Deu em O Globo
Dilma se irrita com Pimentel

IIlimar Franco:

A pré-candidata à Presidência pelo PT, Dilma Rousseff, demonstrou contrariedade ontem com Fernando Pimentel, um dos coordenadores de sua pré-campanha. Ao deixar a entrevista coletiva na CNI, ela foi abordada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, que cochichou em seu ouvido. "Depois, depois", respondeu a ex-ministra. Ele insistiu, e Dilma, contrariada, o afastou com o braço e fechou a cara: "Depois", repetiu ela, em tom ríspido.

Nova tentativa ao Golpe

No blog do noblat
Comentário do Noblat

Tenho horror à ilegalidade

Eleição não se ganha apenas no voto. Você pode roubar votos e ganhar uma eleição. Ela não será legítima.

Você pode desrespeitar a lei, extrair vantagens disso e ganhar. A eleição não será legítima.

A legitimidade dela decorre do respeito à lei.

Foi a Justiça quem multou Lula quatro vezes por fazer propaganda antecipada da candidatura de Dilma. Ela, e somente ela numa democracia, pode declarar legítima ou não a eleição de quem quer que seja.

Um acordo e seis verdades — Portal ClippingMP

“A mediação bem sucedida de Lula com o Irã alçaria o Brasil no cenário mundial.” O Globo, 16 de maio de 2010, p. 38.

Na terça feira, 18 de maio de 2010, foi assinado o Acordo Nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã, que dispensa maiores apresentações. E como é sabido, quarenta e oito horas depois da assinatura do Acordo, os Estados Unidos propuseram ao Conselho de Segurança da ONU, uma nova rodada de sanções ao Irã, junto com a Inglaterra, França e Alemanha, e com o apoio discreto da China e da Rússia.

Apesar da rapidez dos acontecimentos, já é possível decantar algumas verdades no meio da confusão:

1) A iniciativa diplomática do Brasil e da Turquia não foi uma “rebelião da periferia”, nem foi um desafio aberto ao poder americano. Neste momento, os dois países são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e desde o início contaram com o apoio e o estímulo de todos os cinco membros permanentes. Além disso, as diplomacias brasileira e turca estiveram em contato permanente com os governos desses países durante a negociação. A Turquia pertence à OTAN, e abriga em seu território armas atômicas norte-americanas. E o presidente Lula recebeu carta de estímulo do presidente Barack Obama, duas semanas antes da assinatura da visita de Lula, e a secretária de Estado norte-americana declarou – na véspera do Acordo – que se tratava da “última esperança” de solucionar de forma diplomática a “questão nuclear iraniana”.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Cadê a campanha limpa?

Cadê a campanha limpa?

Lembra? Oposição ataca Dilma e PT com estrutura da Câmara..Ou seja, com dinheiro público...o nosso dinheiro...Aqui você lê mais . E aqui tem documentos sobre a baixaria Serra na internet

Golpe tem cor azul e amarelo: Procuradora quer eleger José Serra sem eleição


Os meus queridos leitores lembram de quando o ministro Marco Aurélio de Mello se uniu com a oposição para dar o Golpe na reeleição do Presidente Lula?

Em 2006, o presidente do PFL, Jorge Bornhausen (SC), e do PSDB, Tasso Jereissati (CE), entregaram representação para o presidente do Tribunal, Marco Aurélio Mello.O PFL e o PSDB haviam apresentado um pedindo de impugnação da candidatura do Presidente Lula.Na ocasição, Marco Aurélio de Mello posou para fotos todo sorridente no meio dos politicos de oposição (Veja a foto) E veja a notícia em nossos arquivos

E você lembram quando Marco Aurélio Mello acusou o PT de grampear telefones do TSE? . Na época ele disse que, o objetivo do grampo foi realizar algum tipo de chantagem contra os ministros que vinham se destacando pelo rigor em seus votos, nos quais condenaram a campanha de Lula à perda de vários minutos de campanha. Leia aqui no arquivo do blog

Em 2006 quem estava concorrendo a eleição era Geraldo Alckmin do PSDB...Dessa vez, também é o PSDB com o Serra...E você lembra da empresa Fence do amigo do José Serra?...denúncia sobre o suposto grampo foi feita em relatório pela empresa de segurança privada Fence, contratada pelo TSE, e divulgada por Marco Aurélio.Empresa de segurança Fence mantém relações com José Serra? . Quando Serra era o ministro da Saúde ,pagou em 2003 ,R$ 56 mil à empresa Fence, para serviços de contra-espionagem. Leia aqui

Marco Aurélio de Mello está de volta tentado eleger tucano


A candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência caminha para ter problemas já no registro e, se eleita, na sua diplomação.


Na Folha dos tucanos; A afirmação é da procuradora da República e vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, que avalia que esses problemas podem surgir se casos de desrespeito à legislação eleitoral continuarem na pré-campanha.--(A mesma procuraddora está reomendando cassação do eputado Paulinho da Força Sindical. Sandra Cureau, acusa Paulinho teria utilizado veículos e outros recursos de sindicatos ligados à Força Sindical durante a corrida eleitoral de 2006. Além disso, ele teria extrapolado o limite de gastos da campanha).


Cureau diz haver "uma quantidade imensa de coisas" na pré-campanha de Dilma que podem ser interpretadas como abusos de poder econômico e político.


O Ministério Público Eleitoral está reunindo informações sobre os eventos dos quais a ex-ministra tem participado para pedir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a abertura de uma Aije (Ação de Investigação Judicial-Eleitoral) por abuso de poder econômico e político.


Em tese, a Aije poderá resultar na negação do registro ou no cancelamento da diplomação pela Justiça Eleitoral, como já falou, há dez dias, o ministro Marco Aurélio Mello, do TSE.


"A repetição desses fatos, evidentemente, vai configurar abuso na propaganda", disse a procuradora à Folha, em seu gabinete.


Os fatos a que Cureau se referia eram as multas que o TSE tem aplicado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva e em Dilma. Lula já foi multado quatro vezes por propaganda eleitoral antecipada. Dilma, duas.


"Um dos casos em que se cassa o registro ou que se cassa a diplomação é quando há abuso de poder econômico ou político. E nesse caso poderia se configurar as duas coisas até", disse.


Segundo ela, um evento custeado com dinheiro público é abuso de poder político e também de poder econômico. "Um abuso de poder econômico até pior porque feito às custas de contribuições da população, que, afinal de contas, é quem paga impostos", reiterou.


Para a procuradora, que trabalha em eleições desde 1985, Lula -"infelizmente", diz ela-, em seus pronunciamentos públicos, participa diretamente da pré-campanha da petista.

Marco Aurélio acusa uso da máquinha e esquece José Serra

As constantes aparições de Dilma em eventos do governo depois de seu desligamento do ministério da Casa Civil, em março, foram classificadas pela vice-procuradora como uma "situação até mais estranha".

"Teve época em que ainda se justificaria, dependendo do caso, a presença da ministra-chefe da Casa Civil, porque ela estava no cargo. (...) Atualmente ela está afastada para concorrer. Então, há eventos que não tem porque estar presente", disse.

Para Cureau, a presença da ex-ministra indica desrespeito à legislação eleitoral. "Por que ela estava lá, se ela não é ministra, se ela não é nada? Ela estava lá para fazer campanha", afirmou.

Sobre os principais adversários de Dilma -José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV)-, as representações sobre desrespeito à lei são bem menos numerosas. "Talvez por não terem a máquina pública [do governo federal]", disse.

Procuradora Sandra Cureau está repetindo o caso do promotor Blat



A própria procuradora Dra. Sandra Cureau está fazendo propaganda eleitoral subliminar negativa contra Dilma Rousseff, quando faz "denúncias" contra a campanha de Dilma na imprensa, sem que haja denuncia à justiça.

Uma denúncia destas à imprensa, partindo de uma autoridade como procuradores de república é muito séria contra qualquer pessoa, e nunca deve ser feita de forma informal, sobretudo em meios de comunicação de massa (até porque a pessoa acusada fica em extrema desvantagem para exercer seu direito de defesa). Esse tipo de denúncia informal traz prejuízos à imagem das pessoas, sobretudo àquelas expostas à opinião pública. Em um processo político pré-eleitoral, é uma forma de fazer campanha negativa.


Se a própria procuradora não formalizou denúncia à justiça, é porque não reuniu fundamentação suficiente ainda e, neste caso, como pode a segunda mais alta autoridade da procuradoria geral eleitoral, fazer acusações precipitadas através da imprensa?


A atuação da procuradora, neste caso, repete o episódio do promotor Blat. Fez acusações na imprensa contra o PT e diretores da Bancoop, sem apresentar denúncia à justiça.


Quer queira, quer não, isso é uma forma de fazer campanha eleitoral negativa.


Por que só contra Dilma?


Como agravante, por que a procuradora diz à imprensa estar reunindo provas apenas contra Dilma, se há denúncias equivalentes contra todos os candidatos?


Procuradores da República defendem o cidadão. Não são advogados do PSDB, nem do DEM. Tem que acompanhar e fiscalizar os atos de todas as candidaturas, e agir contra abusos de todas elas, sem usar "dois pesos e duas medidas".


A Procuradoria Regional Eleitoral de Santa Catarina (PRE/SC), já denunciou José Serra (PSDB/SP), por delitos que o Brasil todo já viu. A PRE/SC já encaminha a denúncia para Procuradoria Geral Eleitoral, em Brasília.


Será que a Dra. Cureau é única pessoa que ainda não viu esse delito de José Serra estampado na imprensa, para arrolar José Serra também em sua fala imprópria à imprensa? Logo ela, a autoridade mais envolvida no processo de fiscalização eleitoral dos presidenciáveis?


A denúncia contra José Serra é por propaganda eleitoral antecipada, no feriado do dia 1º de maio em Camboriú, no 28º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários, patrocinado com dinheiro público de governos conduzidos pelo partido de José Serra:


* R$ 300 mil do Governo do Estado de Santa Catarina, cujo governador é do PSDB (Leonel Pavan);


* R$ 240 mil da Prefeitura de Camboriú, cuja prefeita também é do PSDB (Luzia Coppi);


Assim não dá. Parece que a Procuradoria só tem olhos para fiscalizar Dilma, e ainda com critérios duvidosos. Parece que está alocando 100% de seus esforços para fiscalizar Dilma, com um rigor arbitrário e inquisidor, e dedicando ZERO por cento para fiscalizar Serra.


Isso é também uma forma de parcialidade, ao privilegiar a fiscalização apenas de uma candidatura em detrimento de outra.


Queremos os pratos da balança da Justiça Eleitoral equilibrados. Queremos eleições limpas. Queremos um Ministério Público que defenda o cidadão, o eleitor, e seja completamente imparcial. Que não se submeta às pressões do poder econômico que controla a imprensa, nem das campanhas midiáticas dos donos da imprensa, nem das bancas de advocacia do DEM e do PSDB. Que a mesma lei e procedimentos que vale para Serra e Marina, valha para Dilma.

Serra faz discurso tucano anti-Lula, defendendo estado mínimo neoliberal

Para a platéia de empresários na CNI, José Serra (PSDB/SP) fez um discurso crítico ao governo Lula, e defendeu a volta das política de estado mínimo (com carga tributária e tarifas altas) de FHC.

O demo-tucano disse: "Na área federal, a obesidade dá até gosto. Puxa vida, como dá para aumentar a eficiência...", referindo-se a corte de custos. Mas as declarações chegam a ser cínicas, porque ele não apresenta argumentos para sustentar o que diz.

O governo Lula fez um ajuste fiscal muito maior do que o do governo FHC (que foi muito perdulário, sobretudo no primeiro governo, quando José Serra foi ministro do planejamento). Mesmo assim, promoveu distribuição de renda, não arrochou salários (pelo contrário houve um grande aumento no salário mínimo). Para o funcionalismo e aposentados acima do salário mínimo, quem não teve algum aumento real, pelo menos teve a inflação reposta (coisa não acontecia no governo FHC). Além de tudo, o governo Lula ainda conseguiu ampliar os programas sociais.

Serra, para cumprir o que diz aos empresários, terá repetir as políticas de FHC, seguindo o receituário do FMI:
- promover demissões;
- suspender concursos e contratações;
- sucatear os serviços públicos;
- transferir obrigações do estado como saúde, educação e segurança para a iniciativa privada;
- privatizar, em parte ou no todo, empresas e órgãos estatais;
- entregar para empresas privadas o controle sobre tarifas abusivas como as tarifas de telefonia e banda-larga e os pedágios paulistas;
- arrochar salários do funcionalismo civil e militar;
- arrochar aposentadorias da previdência;
- deixar a mão invisível do mercado produzir apagões elétricos como o de 2001;
- deixar apenas para o "mercado" a geração de empregos, sem o governo induzir em programas como a indústria naval, a construção civil, etc;
- subordinar a Polícia Federal para o DEA (Departamento anti-drogas dos EUA), como fez FHC, em troca de uns trocados;
- alugar a base espacial de Alcântara para os EUA;
- quem sabe repetir no Brasil um "plano Colômbia" para terceirizar para as tropas estadunidentes a defesa de nossas fronteiras, em vez de reequipar soberanamente nossas Forças Armadas, como o governo Lula está fazendo;

Obviamente que esse discurso privatista, de pagar empresas privadas para substituir funções de carreira de estado, fazem cifrões brilhar nos olhos da platéia de empresários gananciosos.

Mas e o povo que paga a conta, em impostos, em tarifas e em desemprego? Vai encarar outra vez aquela política do FHC, proposta por Serra?

A turma do José Serra prepara o golpe

O deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) disse nesta terça (25), em seu Twitter, que vai "alertar a sociedade sobre as ameaças feitas" pelo presidente de honra do DEM, Jorge Bornhausen, e do presidente do PSDB, Sérgio Guerra, sobre as eleições presidenciais.


Em entrevista ao jornal O Globo, Bornhausen declarou que a escolha do novo presidente será "sangrenta", enquanto Guerra disse que a disputa será "uma batalha campal" no jornal Folha de S. Paulo. "O que os presidente do DEM e PSDB quiserem dizer isso? É preciso ficar atento", disse João Paulo.


Em entrevista à Rede Baiana de Rádio, nesta terça, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), rebateu a afirmação do ex-senador democrata: "não me espanta (esta declaração). Ele é um homem que tem uma tradição de fazer política desta forma, tentando acusar, ofender. Aí, quando acontece o mensalão do DEM, a valentia vai para casa.

Eu acho péssimo que o presidente nacional de um partido, talvez por isso o partido venha definhando ao longo do tempo, diga que a campanha será sangrenta. Ele está chamando a violência, está chamando a baixaria, convocando as pessoas para fazer uma campanha errada. Eu acho que campanha política tem que ser debate de ideias. Ele deveria pedir desculpas", afirmou o pré-candidato do PT à reeleição do governo baiano.No Terra

Polarização

De Merval Pereira:

O empate entre os dois candidatos à Presidência da República dos partidos que polarizam a política nacional nos últimos 20 anos — José Serra pelo PSDB e Dilma Rousseff pelo PT — demonstra que as estratégias de ambos para este início de campanha estão corretas. Serra adiou o quanto pôde seu lançamento, adiando assim o confronto direto com um governo bem avaliado.

E Lula antecipou o quanto pôde o debate eleitoral, fugindo a todas as regras tradicionais da política, para ter tempo de incutir no eleitorado o nome de sua candidata.

A polarização da eleição serve aos interesses de Lula, que sempre quis uma disputa plebiscitária, por considerar que tem mais o que vender ao eleitorado do que o rival PSDB.

Serra também queria o plebiscito, mas não sobre o governo Lula em contraposição ao de FHC, mas entre ele e Dilma.

Considera que tem uma vida política mais experiente e bem-sucedida do que sua adversária e espera vencer na guerra do currículo, político e administrativo.
É certo que não esperava que o presidente Lula transferisse com tamanha intensidade sua popularidade para a candidata oficial, enquanto Lula joga todo o seu empenho na aposta de que o eleitorado votará em Dilma confiando em sua escolha.

O dilema da oposição pós-Lula

Ilimar Franco:

A coordenação da candidatura José Serra está sendo pressionada a mudar a linha e o tom da campanha. Integrantes da oposição dizem que Serra precisa abandonar a postura cordial e começar a bater. Avaliam que não há tempo para desconstruir a imagem do presidente Lula, mas que é preciso atacar a candidata Dilma Rousseff. Para assessores da oposição, as recentes pesquisas demostraram que o discurso do pós-Lula não combina com a candidatura José Serra.

Serrinha paz e amor começa a ir para o arquivo

José Serra estava em casa entre os empresários reunidos pela Confederação Nacional da Indústria, em Brasília, para ouvir os pré-candidatos à vaga de Lula. A larga maioria ali votará nele.

Dilma Rousseff não parecia preocupada em ganhar alguns votinhos, mas sim em não errar. Aparentemente não errou. Repetiu o que tem dito para platéias semelhantes.

Serra saiu-se melhor. Porque demonstrou mais intimidade com os assuntos tratados. E porque não foi modorrento, sem sal, burocrático como Dilma.

A candidata de Lula ateve-se ao scripit concebido com antecedência. Pouco se afastou dele.

Serra improvisou, aconselhado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Estava solto, conseguiu até ser engraçado em algumas ocasiões - logo ele que costuma não ter graça.

A destacar, por fim, a elevação do tom crítico de Serra em relação ao governo Lula. E algumas alfinetadas que deu na própria Dilma.

Sobrou para a falta de planejamento do governo. Para a falta de investimentos em infraestrutura. Para os juros altos. Para o loteamento político de cargos.

O Serrinha Paz e Amor começou a ser arquivado depois da mais recente rodada de pesquisas de intenção de voto que apontou um empate entre ele e Dilma.

Parte do eleitorado de Serra é também 'lulista'

Quase um quarto dos simpatizantes de Serra afirma que votará 'com certeza' no candidato apoiado pelo presidente, segundo pesquisa Datafolha

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo:

Quase um quarto dos eleitores de José Serra (PSDB) manifestou um comportamento dúbio e paradoxal na última pesquisa Datafolha: eles também afirmaram que votarão “com certeza” no candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nesse contingente há brasileiros que dizem ignorar a opção eleitoral de Lula, mas também os que estão convictos de que o presidente apoia Serra. Quase um décimo dos eleitores do tucano pensa assim.

Menos da metade dos serristas afirma que não votaria em um candidato apoiado por Lula. Outros 26% dizem que talvez o façam, e 23% anunciam que seguirão “com certeza” a opção de voto do presidente.

Os eleitores com “duas caras” são cerca de 11,5 milhões. Até a eleição, eles terão de se posicionar de maneira coerente: ou abandonarão o barco lulista ou votarão na pessoa efetivamente apoiada pelo presidente, conforme sua intenção declarada.

O eleitorado de Dilma é menos heterogêneo: 76% dele afirma que votará no candidato de Lula e 17% diz que “talvez” o faça. Mas no grupo dilmista o paradoxo também se manifesta: 5% de seus simpatizantes afirmam que não votariam em um candidato apoiado pelo presidente.

Esses dados mostram que os resultados das pesquisas ainda podem oscilar muito até a campanha eleitoral avançar e entrar no cotidiano da população, com a consequente queda da desinformação sobre os candidatos.

Essa desinformação se distribui de forma desigual no eleitorado. É maior entre as mulheres, entre os mais pobres e entre os moradores do Nordeste. Na região, 59% dos eleitores dizem que pretendem votar no candidato de Lula, mas 41% ignoram que Dilma ocupa esse papel.

Sobre um blogueiro ordinário

25/05/2010

Sob o título "Noblat e o golpe contra Dilma. Só falta o TSE tomar coragem", o blog "Conversa Fiada", do jornalista Paulo Henrique Amorim, transcreve notícia que eu havia transcrito da Folha de S. Paulo e publicado aqui mais cedo, e também o comentário que fiz a respeito.

A notícia:

Abusos ameaçam eleição de Dilma, diz procuradora

Sérgio Torres:

A candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência caminha para ter problemas já no registro e, se eleita, na sua diplomação.

A afirmação é da procuradora da República e vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, que avalia que esses problemas podem surgir se casos de desrespeito à legislação eleitoral continuarem na pré-campanha.

Cureau diz haver “uma quantidade imensa de coisas” na pré-campanha de Dilma que podem ser interpretadas como abusos de poder econômico e político.

O Ministério Público Eleitoral está reunindo informações sobre os eventos dos quais a ex-ministra tem participado para pedir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a abertura de uma Aije (Ação de Investigação Judicial-Eleitoral) por abuso de poder econômico e político.

Em tese, a Aije poderá resultar na negação do registro ou no cancelamento da diplomação pela Justiça Eleitoral, como já falou, há dez dias, o ministro Marco Aurélio Mello, do TSE.


O comentário que fiz:

Há abusos suficientes para ameaçar o registro da candidatura de Dilma, admitem dois ministros do Tribunal Superior Eleitoral ouvidos por este blog. Mas falta ao tribunal coragem para tomar qualquer medida mais drástica a esse respeito.

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O que me chamou a atenção no "Conversa Fiada" foram comentários ali postados a propósito do que escrevi. Eles dão a medida do grau de irresponsabilidade do titular do blog, de sua parceria com gente insana, e por extensão do seu comportamento insano.

Alguns dos comentários:

• Pereira
25 de maio de 2010 às 12:33
Estou com uma pequena poupança para o futuro de meus filhos, mas vai ser obrigado comprar um AK-47, e os 6 meses que passei no exercito será utíl agora para trenar o mst e outros movimentos sociais, estou feliz vamos a revanche de 1964, e o primeiro tiro será na cara do no noblat, e em seguida em seus patrões, comprar armas esta facíl agora é logo ali no vizinho Paraguai, já estou começando a mobilização, em fim uma guerra cívil para acertar as contas pasadas.

• Digger
25 de maio de 2010 às 13:00
Esse Noblat, é um dos representantes do PIG federento e inescrupuloso. Ele tenta se passar, por um jornalista democrático, quando na verdade ele é a antítese de um democrata. Um sujeito cerceador da liberdade de expressão e opinião. Eles que não se atrevam numa tentativa golpista, porque vai escorrer muito sangue pelo solo de nossa pátria chamada Brasil. Que estes golpistas não sejam insanos de cometerem esta loucura.

• william lopes guerra
25 de maio de 2010 às 11:49
Sugestão: Vamos enviar milhares e milhares de e-mails ao Noblat lhe fazendo a seguinte indagação: “-Por que queres impedir a eleição de Dilma?” Ou telefonar para o celular, para o telefone fixo, ou cartas para a sua residência: milhares! Com a pergunta encimada.

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Penso, às vezes, que o moderador do meu blog exerce com excessivo rigor a sua tarefa. Depois que leio comentários como esses acima postados em outros blogs, concluo que não. Que ele está certo.

Quem tem um blog se torna responsável também pelo que deixa postado no espaço dos comentários. A esmagadora maioria dos comentaristas usa apelidos ou se vale de nomes falsos.

O anonimato estimula com frequência as manifestações mais torpes - por vezes criminosas. Elas não podem ser toleradas sob a desculpa de que é livre a manifestação de pensamento.

É livre para quem se sujeita à lei e assume as consequências pelo que escreve.

Lavoura anárquica

25/05/2010

Dora Kramer, de O Estado de S.Paulo:

De tanto transgredir, reincidir e alcançar resultados práticos a ponto de levar seus adversários a aderir à lógica de que os fins justificam os meios, o presidente Luiz Inácio da Silva acabou por transformar as críticas à sua conduta em uma condenação implícita à Lei Eleitoral.

Ganha corpo um debate nos seguintes termos: não é bem o presidente que está errado ao desafiar a lei, mas a lei é que está equivocada ao se confrontar com a realidade e pretender controlar o incontrolável com a campanha eleitoral já em pleno desenrolar.

Considerando que a partir da aceitação desse tipo de premissa fica impossível discutir qualquer coisa com um grau razoável de bom senso, pois o raciocínio serve para a questão eleitoral ou para qualquer outra e parece nítida a deformação do silogismo por cultivado na anarquia, passemos a outro aspecto legal desse cenário de transgressões.

O artigo 37 da Constituição Federal, o primeiro do capítulo da Administração Pública "direta, indireta" diz que qualquer dos Poderes da União, dos Estados e do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá em seus atos a uma série de princípios sendo que entre eles o primeiro listado é o da legalidade.

"Qualidade ou estado do que é legal, do que está conforme com ou é governado por uma ou mais leis" (Antonio Houaiss).

Irrealista ou não ao juízo de alguns autores, não pode haver dúvidas de que a Lei Eleitoral é uma lei. Portanto, quem a infringe comete uma ilegalidade, ferindo o princípio estabelecido na Constituição para agentes públicos.

O Tribunal Superior Eleitoral por quatro vezes multou o presidente da República, mais recentemente fez o mesmo em relação ao ministro do Trabalho, ao prefeito de São Bernardo, ao presidente da Transpetro e ao presidente da Petrobrás, para tratar apenas dos ocupantes de postos previstos no artigo 37 da Constituição.

Esta não caiu em desuso nem é alvo da argumentação fora de foco que considera a Lei Eleitoral obsoleta face a uma circunstância específica, mas esquece que ela vigorou de 1997 até a última eleição sem contestação.

Tornou-se inadequada porque o presidente Lula resolveu antecipar a campanha e revogou a norma na marra. A Justiça Eleitoral aceitou até março deste ano a imposição dessa regra do jogo.

Mas, agora, é de se perguntar: estabelecida a ocorrência do ilícito, pode o presidente continuar a agir ao arrepio do princípio maior da legalidade seja qual for a lei transgredida?

Se for, substituiu-se em Dostoievski Deus pela Constituição e se conclui que tudo o mais é permitido.

Parte do eleitorado de Serra é também ‘lulista’

politica – Estadao.com.br


Quase um quarto dos simpatizantes de Serra afirma que votará ‘com certeza’ no candidato apoiado pelo presidente, segundo pesquisa Datafolha

24 de maio de 2010 | 20h 42

Daniel Bramatti / SÃO PAULO – O Estado de S.Paulo

Quase um quarto dos eleitores de José Serra (PSDB) manifestou um comportamento dúbio e paradoxal na última pesquisa Datafolha: eles também afirmaram que votarão “com certeza” no candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja a evolução dos candidatos nas pesquisas

Nesse contingente há brasileiros que dizem ignorar a opção eleitoral de Lula, mas também os que estão convictos de que o presidente apoia Serra. Quase um décimo dos eleitores do tucano pensa assim.

Menos da metade dos serristas afirma que não votaria em um candidato apoiado por Lula. Outros 26% dizem que talvez o façam, e 23% anunciam que seguirão “com certeza” a opção de voto do presidente.

Os eleitores com “duas caras” são cerca de 11,5 milhões. Até a eleição, eles terão de se posicionar de maneira coerente: ou abandonarão o barco lulista ou votarão na pessoa efetivamente apoiada pelo presidente, conforme sua intenção declarada.

O eleitorado de Dilma é menos heterogêneo: 76% dele afirma que votará no candidato de Lula e 17% diz que “talvez” o faça. Mas no grupo dilmista o paradoxo também se manifesta: 5% de seus simpatizantes afirmam que não votariam em um candidato apoiado pelo presidente.

Esses dados mostram que os resultados das pesquisas ainda podem oscilar muito até a campanha eleitoral avançar e entrar no cotidiano da população, com a consequente queda da desinformação sobre os candidatos.

Essa desinformação se distribui de forma desigual no eleitorado. É maior entre as mulheres, entre os mais pobres e entre os moradores do Nordeste. Na região, 59% dos eleitores dizem que pretendem votar no candidato de Lula, mas 41% ignoram que Dilma ocupa esse papel.

Televisão. Na semana passada, o PT aproveitou a propaganda partidária a que tinha direito para fazer campanha para Dilma. Em inserções de 30 segundos e em dez minutos de programa em rede nacional, o partido associou a pré-candidata a Lula e a programas sociais do governo.

A ofensiva propagandística fez efeito, como demonstrou a ascensão da petista no Datafolha – de uma desvantagem de 12 pontos porcentuais em abril, ela passou para uma situação de empate com Serra, ambos com 37% das intenções de voto. O programa, porém, foi menos assistido justamente nos bolsões em que há mais desinformação sobre a relação entre Lula e Dilma.

No Nordeste, por exemplo, 67% dos moradores negaram ter visto propaganda de Dilma nos 30 dias anteriores à pesquisa. Nas demais regiões, esse índice variou entre 60% e 62%.

Entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos – dos quais 37% não sabem quem é o candidato de Lula –, apenas 33% assistiram à propaganda de Dilma. Entre os que ganham mais de dez salários mínimos, 61% viram a candidata na TV.

No grupo que viu a propaganda. Dilma tem 45% das intenções de voto, contra 33% para Serra. Na parcela do eleitorado que não assistiu ao programa petista, é o tucano quem lidera, por 38% a 33%.

Abusos ameaçam eleição de Dilma, diz procuradora

Deu na Folha de S. Paulo e noblat

Abusos ameaçam eleição de Dilma, diz procuradora

Sérgio Torres:

A candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT) à Presidência caminha para ter problemas já no registro e, se eleita, na sua diplomação.

A afirmação é da procuradora da República e vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, que avalia que esses problemas podem surgir se casos de desrespeito à legislação eleitoral continuarem na pré-campanha.

Cureau diz haver "uma quantidade imensa de coisas" na pré-campanha de Dilma que podem ser interpretadas como abusos de poder econômico e político.

O Ministério Público Eleitoral está reunindo informações sobre os eventos dos quais a ex-ministra tem participado para pedir ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a abertura de uma Aije (Ação de Investigação Judicial-Eleitoral) por abuso de poder econômico e político.

Em tese, a Aije poderá resultar na negação do registro ou no cancelamento da diplomação pela Justiça Eleitoral, como já falou, há dez dias, o ministro Marco Aurélio Mello, do TSE.

Assinante do jornal leia mais em Abusos ameaçam eleição de Dilma, diz procuradora

(Comentário meu: Há abusos suficientes para ameaçar o registro da candidatura de Dilma, admitem dois ministros do Tribunal Sperior Eleitoral ouvidos por este blog. Mas falta ao tribunal coragem para tomar qualquer medida mais drástica a esse respeito. )

Obama rejeita visitar país antes da eleição

Deu na Folha de S. Paulo
25/05/2010

Lula atribui recusa a divergências sobre política externa entre Brasília e Washington e à influência dos Clinton

Para diplomacia dos EUA, vinda às vésperas de importante decisão eleitoral seria incomum no âmbito diplomático

Kennedy Alencar:

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recusou convite do presidente Lula para visitar o Brasil antes da eleição de 3 de outubro. Lula gostaria de usar a viagem para vitaminar a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

Segundo a Folha apurou, Lula atribui a recusa a dois fatores: divergências na política externa entre Brasília e Washington e uma suposta interferência dos Clinton para que Obama não fizesse uma visita que pudesse virar ato eleitoral pelo PT.

A diplomacia americana argumenta que seria inusual para a política externa do país uma visita do presidente dos EUA às vésperas de uma importante decisão eleitoral.

Mais: a política externa americana não tem como prioridade para o segundo ano de governo de Obama uma visita ao Brasil.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Datafolha aponta empate entre Dilma e Serra

petista sobe e agora tem 37%, mesmo percentual do tucano

na pesquisa espontânea, Dilma vai a 19% contra 14% de Serra

simulação de 2º turno dá 46% para petista e 45% para tucano

Pesquisa de intenção de voto para presidente realizada pelo instituto Datafolha indica haver um empate numérico entre a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, e o pré-candidato do PSDB, José Serra: ambos estão com 37%.

O levantamento foi realizado nos dias 20 e 21 de maio com 2.660 entrevistas em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos. A reportagem completa sobre os resultados do Datafolha pode ser lida na edição de hoje (22.maio.2010) do jornal “Folha de S.Paulo” (aqui, para assinantes da “Folha” e do UOL).

De acordo com o Datafolha, Dilma subiu de 30% (na pesquisa de 15-16.abr.2010) para 37% agora, ou seja, uma alta de 7 pontos percentuais. Já Serra caiu de 42% para 37% no mesmo período (baixa de 5 pontos). Este blog mantém desde o ano 2000 a mais completa página com pesquisas eleitorais da web brasileira. Para saber outros resultados de levantamentos sobre a disputa presidencial deste ano, clique aqui.

Marina Silva (PV) ficou estacionada na pesquisa Datafolha com os mesmos 12% que havia registrado em abril. Há 5% que pretendem votar em branco, nulo ou nenhum. E outros 9% que dizem estar indecisos.

Quando se inclui os candidatos nanicos na pesquisa, os números não mudam muito. Só José Maria Eymael (PSDC) e Zé Maria de Almeida (PSTU) pontuam 1% cada. O outros nanicos sempre têm menos de 1%.

Na pesquisa espontânea, quando o entrevistado não vê os nomes dos candidatos, Dilma Rousseff é líder isolada, com 19%. José Serra tem 14%. Marina Silva está com 3%.

Mas há também um potencial visível de crescimento para Dilma no levantamento espontâneo. É que 5% dizem pretender votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (ele não é candidato, como se sabe, e apoia Dilma). Outros respondem que desejam votar no “candidato do Lula”. E há também 1% que diz ter preferência no “candidato do PT”.

Na pergunta sobre rejeição (em quem o eleitor não deseja votar de jeito nenhum), a pesquisa é liderada por José Serra, com 27%. Dilma Rousseff vem em segundo lugar, com 20%. Marina Silva tem 14%.

Por fim, numa simulação de segundo turno, Dilma Rousseff está empatada tecnicamente com José Serra, na margem de erro. Dilma tem 46% e Serra aparece com 45%. É a primeira vez em pesquisas Datafolha que a petista aparece numericamente (ainda que dentro da margem de erro) à frente do tucano numa simulação de 2º turno.

Análise: TV e Lula alavancam Dilma

O fato mais saliente no mundo político nos últimos pouco mais de 30 dias foram as propagandas partidárias do PT no rádio e na TV, todas enaltecendo Dilma Rousseff. No programa mais longo, que foi ao ar no dia 13 de maio, Lula apareceu para elogiar sua candidata a presidente e até compará-la a Nelson Mandela.

Os comerciais na TV e o apoio cada vez mais explícito de Lula alavancaram a alta de Dilma na pesquisa Datafolha divulgada hoje (22.maio.2010).

Basta lembrar que o último surto de crescimento da petista havia ocorrido em fevereiro. Foi naquele mês que Dilma também estrelou propagandas petistas na TV. E também quando foi ovacionada num encontro nacional do PT, em Brasília. Ou seja, teve muita exposição positiva.

Também em fevereiro o tucano José Serra enfrentava ainda os efeitos do aguaceiro causado pelas chuvas na região Sudeste. Além disso, o principal candidato de oposição tinha um comportamento titubeante, negando em público suas intenções de concorrer ao Planalto.

Depois, em março, Dilma não teve mais grandes eventos a seu favor. Já Serra acabou admitindo em público que seria candidato. O governo de São Paulo inaugurou várias obras (o Rodoanel, por exemplo) e muitas propagandas estatais paulistas foram parar na TV. Em abril, o tucano foi lançado oficialmente pré-candidato pelo PSDB em grande festa, em Brasília. Era o seu momento de exposição positiva.

Em março e abril, portanto, a maré foi mais favorável ao tucano. Quando maio chegou, o PT veiculou suas propagandas partidárias. Lula acelerou no discurso pró-Dilma. O efeito pode ser comprovado na pesquisa Datafolha, cujos dados estão aqui no blog.

Até meados de junho, PSDB e DEM, os 2 principais partidos de oposição, também terão propagandas televisivas. Qual será o efeito? Difícil prever. Mas uma coisa é certa: José Serra não terá, como Dilma, o presidente Lula ajudando em sua campanha.

Poder e política na semana

24 a 30.mai.2010

A semana começa com a repercussão da pesquisa Datafolha –o empate entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Haverá também muita falação sobre a “novela Aécio Neves” –o mineiro vai ou não vai aceitar ser candidato a vice-presidente na chapa do PSDB.

Na 2a feira de manhã, Marina Silva dá entrevista à rádio CBN (a mesma já concedida por Serra e Dilma). Na 4a feira, a verde estará na BandNews FM.

Na 3a feira, os 3 presidenciáveis principais (Dilma, Serra e Marina) se encontram na CNI, em Brasília. Cada um será inquirido separadamente por representantes da indústria.

Dilma também estará em São Paulo na 4ª para dar entrevista a Carlos Nascimento, âncora do telejornal SBT Brasil (às 19h30). A petista não confirmou presença no evento nacional de mulheres do PDT, que acontece na 5a feira, em Belo Horizonte. Na 6a, ela pode dar as caras em Chapecó, Santa Catarina.

Fora de eleição, Lula recebe a seleção brasileira de futebol (4a). O Ipea inaugurará seu escritório em Caracas, capital da Venezuela. Na Câmara, a licença parlamentar de Ciro Gomes chega ao fim. Ele deve retomar suas atividades de deputado no início de junho. O DEM tem propaganda no rádio e na TV (5a) e deve turbinar a campanha de Serra.

A seguir, o que moverá o mundinho da política na semana que começa:

Segunda (24.mai.2010)
Lula lança TV Brasil internacional – à tarde, no Itamaraty. O canal será transmitido para 49 países africanos, em português. De manhã, o presidente tem reunião de coordenação com representantes de ministérios.

Lula encontra o bispo – após o evento da TV Brasil, o presidente recebe o bispo Romildo Ribeiro Soares, o “R.R.Soares”, no CCBB. Soares é o apresentador do “Show da Fé”, apresentado pelas redes Bandeirantes e CNT.

Marina Silva no rádio – depois de Serra e Dilma, a pré-candidata verde ao Planalto concederá entrevista à rádio CNB, às 8h.

Dilma em Brasília – a petista permanece na capital e trabalha com a equipe de sua campanha.

Fiesp e os candidatos – a entidade apresenta resultados da pesquisa sobre os obstáculos à indústria paulista que encomendou ao Ibope. O documento será entregue a todos os candidatos à Presidência da República.
Santo Daime na Câmara – o plenário 6 da Casa recebe audiência pública sobre a resolução 1/2010, emitida pelo Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), que permitiu a ayahuasca para fins religiosos.

Terça (25.mai.2010)
CNI e os candidatos – Serra, Marina e Dilma vão a evento da CNI, em Brasília, para receber recomendações de governo e participar de sabatina. A partir das 9h.

Lula na Argentina – o presidente vai a Buenos Aires para comemorar os 200 anos de independência do país vizinho.

IPC – Fipe divulga novo Índice de Preços ao Consumidor. A FGV também anuncia seu IPC-S.
comentário do blog: a inflação passou a ser uma grande preocupação do Banco Central. Se a taxa subir além do esperado, é certo que os juros continuarão a trajetória ascendente.

Orçamento – às 20h, o Congresso Nacional se reúne para votar liberação de crédito suplementar a órgãos do executivo.

Ética na Câmara – a partir das 9h, a Casa sediará o 2° Fórum Nacional de Ética e cidadania. Michel Temer (PMDB-SP) e Heloísa Helena (PSOL-AL) discursarão na abertura.

Quarta (26.mai.2010)
Lula recebe a seleção – será no Palácio da Alvorada, à tarde. Em seguida, o presidente se reúne com o diretor-gerente do FMI, no CCBB. À noite, ele vai ao Blue Tree Hotel para a abertura da Conferência Nacional de Ciência Tecnologia e Inovação.

Marina em São Paulo – concede entrevista a Boris Casoy, às 17h20, na rádio BandNews FM. Ela passa o resto da semana em São Paulo, sem compromissos públicos.

Dilma na TV – a petista concede entrevista ao telejornal SBT Brasil, que começa às 19h30.

Mercado de trabalho – Dieese divulga novas pesquisas sobre emprego e desemprego.
Lei eleitoral – partidos que violam a legislação poderão transmitir mensagens educativas sobre as eleições em vez de ficarem sem o tempo de propaganda. O projeto está na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado.

Quinta (27.mai.2010)
Lula no Rio – após almoçar com o 1° ministro da Turquia, o presidente vai ao Rio de Janeiro para a reabertura do Theatro Municipal.

Contas públicas – antes do almoço, Lula participa, no CNBB, da divulgação de novos detalhes sobre os gastos do Governo Federal no Portal da Transparência.

Reunião do CMN – Conselho Monetário Nacional faz sua reunião mensal.

DEM na TV – o partido aliado de Serra na campanha presidencial exibe sua propaganda, no rádio (das 20h às 20h10) e na TV (das 20h30 às 20h40).

Trabalho – IBGE também divulga pesquisa sobre emprego.

Sexta (28.mai.2010) Lula e as civilizações – ainda no Rio, o presidente participa da abertura do 3° Fórum Mundial da Aliança das Civilizações, no MAM (Museu de Artes Moderna). À tarde, ele tem encontros bilaterais, ainda indefinidos.

Sábado (29.mai.2010)
Ciro Gomes retornando – termina a licença parlamentar do deputado e ex-pré-candidato ao Planalto. Seu retorno ao Congresso está previsto para a 1ª semana de junho.

Mulheres do PMDB – será em Ituiutaba, em Minas Gerais, o encontro estadual das mulheres do partido.

Domingo (30.mai.2010)
Eleição na Colômbia – eleitores colombianos vão às urnas no 1° turno do pleito, polarizado entre o governista Juan Manuel Santos e o oposicionista do partido verde Atanas Mokus.
comentário do blog: uma improvável vitória de Mokus animará a terceira via no Brasil, representada por Marina Silva.

As manchetes desta segunda

23/05/2010

- Globo: Gastos do governo com publicidade crescem 63%



- Folha: Prefeitura proibirá estacionar em ruas do centro expandido



- Estadão: Há escassez de mão de obra especializada em 67% das empresas



- JB: Irã fala em "nova era" com acordo



- Correio: Sobram barcos, falta fiscalização



- Valor: Crise traz de volta ao país 400 mil “expatriados”



- Estado de Minas: Vacina da gripe suína influencia teste de Aids



- Jornal do Commercio: De novo, arrastão e medo em Boa Viagem

PSB e PC do B gaúchos pendem para o apoio a Tarso

Órfãos na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, PSB e PCdoB decidem nesta segunda (24) a que coligação vão se juntar.



Até a semana passada, as duas legendas estavam reunidas em torno da candidatura do deputado Beto Albuquerque (PSB), que desistiu de concorrer.



Tornaram-se alvos instantâneos da cobiça do PMDB de José Fogaça e do PT de Tarso Genro, os dois candidatos que mais bem postos nas pesquisas.



Tomados pelas declarações de seus líderes no Estado, PSB e PCdoB pendem para o apoio a Tarso. A decisão será conjunta e deve sair até de noite.

Contra Tasso, PT impõe Pimentel a Cid Gomes no CE

24/05/2010

O PT do Ceará programou para a noite desta segunda (24) uma reunião. Vai reafirmar a candidatura do deputado José Pimentel ao Senado.



O governador Cid Gomes (PSB), ambiciona o apoio do petismo. Mas rejeita a absorção de Pimentel em sua chapa.



Declara-se compromissado apenas com o deputado Eunício Oliveira (PMDB), também candidato a uma cadeira de senador.



Estão em jogo, como se sabe, duas vagas ao Senado. Na segunda, Cid deseja acomodar Tasso Jereissati (PSDB), que concorre à reeleição.



Como Tasso apoia a candidatura presidencial de José Serra e Cid a de Dilma Rousseff, a aliança entre os dois precisa ser informal.



Interessado em reduzir a concorrência, o pemedebê Eunício também torce o nariz para a entrada de Pimentel na briga.



Para evitar que o arranjo Cid-Eunício-Tasso prospere, o PT decidiu fazer de Pimentel um candidato irreversível. Daí o encontro desta segunda.



Observa-se no Ceará uma cena parecida com a retratada num poema de Drummond: “Quadrilha” (lá no alto, em versão musicada). Na adaptação cearense, os versos ficariam assim:



Cid ama o irmão Ciro, que não morre de amores por Serra, mas ama Tasso, que jura ter aprendido a amar Serra, que não ama ninguém, exceto a presidência.

Lula: ‘Palanque duplo vale para Dilma, não para mim’

24/05/2010

Em privado, Lula avisou aos dirigentes do PT que não vai seguir a política de dois palanques que permeia os acertos com os aliados, sobretudo o PMDB.
Soou peremptório: “Esse negócio de palanque duplo vale para a Dilma, não para mim”.
Ficou entendido que, nos Estados em que houver divisão, só Dilma Rousseff estará obrigada a prestigiar os dois lados.
Quanto a Lula, levará seus 76% de popularidade às campanhas dos candidatos que lhe são mais chegados.
A pretensão de Lula já bateu nos tímpanos dos dirigentes do PMDB. E não soou bem. Longe disso.
Para o principal aliado de Dilma, o acerto nacional passa por um tratamento igualitário nos Estados.
Significa dizer que, se preferir, Lula pode até se ausentar das campanhas locais. Porém...
Porém, se decidir participar, terá de dispensar um tratamento “igualitário” aos dois lados.
Em diálogo com um amigo, Michel Temer, presidente do PMDB e virtual candidato a vice na chapa de Dilma, evocou o caso da Bahia.
“Se Lula gravar uma participação no programa [televisivo] do Jaques [Wagner, do PT] tem de gravar também para o Geddel [Vieira Lima, do PMDB]”.
O critério que Lula fixou para si mesmo conduz a situação diversa. Wagner, petê ligado a Lula por uma amizade de três décadas, teria preferência sobre Geddel.
O que diz Geddel? Em público, nada. Entre quatro paredes, ele ecoa Temer. Afirma que não deseja de Lula senão a paridade de tratamento.
Dono de temperamento mercurial, Geddel diz, longe dos holofotes, que descrê da hipótese de vir a ser preterido na Bahia.
Há dez dias, Dilma esteve em Salvador. Foi prestigiar o ato de lançamento da re-candidatura de Jaques Wagner. Geddel achou natural.
Disse que só estranharia se Dilma, convidada, se negasse a comparecer a um evento do PMDB. Foi tranquilizado por um telefonema.
Depois de dar as caras no ato pró-Wagner, a presidenciável petista apressou-se em tocar o telefone para Geddel.
Segundo apurou o repórter, Geddel contou a correligionários que Dilma assumiu o “compromisso” de comparecer, junto com Temer, à convenção baiana do PMDB.
E quanto a Lula? Distante dos microfones, Geddel diz que o presidente “tem o direito de fazer o que bem entender”. Mas...
...Mas condicionou seus gestos futuros ao modo como será tratado. Geddel resumiu o que pensa numa frase dita em telefonema trocado com um amigo:
“Se houver sacanagem no meio do caminho, ninguém vai poder dizer que fui desleal. Prefiro acreditar que o presidente adotará o melhor posicionamento”.
Nesse mesmo diálogo, Geddel, ex-ministro de Lula, disse o que espera do presidente:
“Não discuto se ele fará uma gravação mais ou menos carinhosa para um ou para outro. Pode até dizer que o Jaques Wagner é amigo dele...”
“...Quero apenas que reconheça que fiz uma boa gestão no ministério [da Integração Nacional] e que, se for eleito, terei um tratamento de aliado”.
No mais, Geddel diz que Lula, se quiser, pode fazer em 2010 o mesmo que fez na eleição municipal de 2008.
Na disputa pela prefeitura de Salvador, o candidato do PMDB, João Henrique, prevaleceu sobre o rival do PT, Walter Pinheiro, numa campanha da qual Lula preferiu se abster.
Lula joga com o calendário e com as pesquisas. A parceria nacional PT-PMDB será selada na primeira quinzena de junho...
...Sua participação nas campanhas estaduais só virá em agosto. A essa altura Temer já será vice de Dilma...
...O presidente imagina que sua pupila estará em ascensão nas sondagens eleitorais. E duvida que o PMDB, por pragmático, se anime a encenar gestos de hostilidade.
O diabo é que o anseio de “tratamento igualitário” não se restringe a Geddel. Espraia-se por todo o PMDB.
O partido de Temer espera que, até as convenções de junho, o PT consiga traduzir o acordo que diz estar definido em termos que possam ser considerados definitivos.

Pesquisa faz PSDB voltar à carga para Aécio ser vice

24/10/2010

A semana política começa sob o impacto da última pesquisa Datafolha.

A sondagem revelou que Dilma Rousseff, em ascensão, empatou com José Serra em 37%.
Divulgado na madrugada de sábado (22), o resultado chegou a Dilma Rousseff, em Nova York, na manhã do mesmo dia.
A repórter Ana Flor conta, na Folha, que a candidata de Lula reagiu evocando o brocardo segundo o qual “caldo de galinha e cautela não fazem mal a ninguém”.
Dilma disse que comentar pesquisas não traz boa sorte: "Nessas horas é bom ser mineira... Caldo de galinha nunca é demais".
De alma leve, a presidenciável petê desperdiçou o tempo livre de que dispõe desde a tarde de sexta (21) entre restaurantes refinados, logradouros famosos e lojas.
Quanto ao PSDB de José Serra, recebeu os dados da pesquisa como uma “luz amarela”, conta, também na Folha, a repórter Catia Seabra.
Os operadores do comitê de Serra devem se reunir nesta segunda (24). Planejam “redesenhar” a campanha, intensificando-a.
De resto, voltarão a fazer pressão sobre Aécio Neves. O ex-governador tucano de Minas retorna nesta terça (25) de uma viagem de 25 dias ao estrangeiro.
Ao desembarcar, sofrerá uma investida. O tucanato voltará a dirigir-lhe apelos para que aceite ser candidato a vice-presidente na chapa de Serra.
Debruçado sobre a máquina de calcular, o QG de Serra estima que a incorporação de Aécio à caravana agregaria pelo menos 2 milhões de votos ao cesto de Serra.
Enquanto esteve fora do país, Aécio andou trocando telefonemas com amigos no Brasil. Um dos interlocutores interpretou-o como se já admitisse ser o vice.
Pelo sim, pelo não, o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), decidiu congelar as negociações em torno da segunda vaga na chapa de Serra até a volta de Aécio.
O DEM considera-se "dono" da vice. Concorda em “abrir mão” do posto desde que Aécio o aceite.
Antes da pesquisa indigesta, o PSDB cogitara entregar o posto a um primo de Aécio, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ).
Depois do Datafolha, também o tucanato voltou a se concentrar em Aécio. Um episódio ajudou a tisnar a opção Dornelles.
Na votação do projeto conhecido como “ficha limpa”, Dornelles apresentou emenda que suscitou dúvidas.
Muitos consideraram que a mudança suavizou o texto, em benefício dos “fichas sujas”.
Há, porém, um problema: a mesma pesquisa que inspira os movimentos do PSDB em direção a Aécio serve de desestímulo para o grão-duque do tucanato mineiro.
Dono de alta popularidade em Minas, Aécio talvez não se anime a trocar o praticamente certo –a eleição para o Senado— pelo duvidoso –a companhia de Serra.

Ministros pedem a Lula veto dos 7,7% a aposentados

24/05/2010

Autora das insônias mais inclementes, a dúvida se imiscuiu na rotina de Lula. Vetar ou não vetar?, eis a questão que martela os miolos do presidente.
Ao tempo em que leva ao palanque uma candidata antitucano, Lula vê-se na contingência de ter de fazer o papel de carcará.
Nesta segunda (24), trocou um dedo de prosa com seus ministros econômicos. Ouviu que a encrenca das aposentadorias exige a perversidade do veto.
Paulo Bernardo e Guido Mantega querem que Lula meta no aumento de 7,72% dado aos aposentados o bico de carcará, pássaro que pega, mata e come.
Não há dinheiro, alegam os ministros do Planejamento e da Fazenda. É preciso entregar as contas em ordem para o sucessor (ou sucessora).
Quanto ao fator previdenciário, extinto pelo Congresso, já há decisão. Lula ai mesmo vetar, ressuscitando o redutor de aposentadorias novas.
Quanto aos 7,72%, o carcará ainda hesita. Sabe que o bico –pequeno, pontudo e perverso— vai incomodar algo como 8 milhões de votos.
O diabo é que, a julgar pelo quadro de penúria pintado pelos ministros, se fugir do figurino do carcará, Lula se arrisca a protagonizar Luís XV.
Dirá: “Depois de mim, o dilúvio”. E que se lixe o sucessor, ainda que ele vista saia e se chame Dilma Rousseff.

Disputa judicial pode contribuir para licença de Lula

24.5.2010

Por Murillo Aragão e Cristiano Noronha, da Arko Advice, empresa de Consultoria Política:

O presidente Lula foi multado pelo Tribunal Superior Eleitoral, na sexta-feira passada, pela quarta vez, por propaganda antecipada.

Dias antes, os ministros haviam decidido, por quatro votos a três, que Lula agiu incorretamente ao pedir para fazer a sua sucessora durante um evento do governo, no interior de Minas Gerais, em fevereiro.

Os argumentos usados pela oposição é que, durante o seu discurso, o presidente Lula teria afirmado que faria a sua sucessora nestas eleições presidenciais. Nas palavras do presidente, importante esta sucessão "para dar continuidade ao que nós estamos fazendo, porque este país não pode retroceder. Este país não pode voltar para trás como se fosse um caranguejo". Segundo a oposição, além de interagir com a platéia, após esta proferir o nome da então ministra da Casa Civil, Lula teria enaltecido, de forma subliminar, a pré-candidatura de Dilma.

Desta última vez, Lula foi condenado a pagar R$ 10 mil por ter dito, em evento em São Bernardo do Campo, no dia 10 de abril, que queria convencer os presentes a votarem em sua aliada.

As decisões mostram que o TSE caminha para ser cada vez mais rigoroso com Lula e a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff.

Fica claro que a estratégia do PSDB para reduzir o poder de transferência de votos de Lula para Dilma será a via judicial. Ao impor derrotas na justiça, a oposição vê que o caminho judicial pode ser o único para impedir uma eventual vitória de Dilma. Tanto ao limitar as intervenções de Lula no processo quanto, no limite, levar ao julgamento da própria candidatura da ex-ministra-chefe da Casa Civil na esfera judicial.

A estratégia é interessante. Mas não pode ser levada ao limite. Pode trazer conseqüências danosas à campanha de Serra. A pior delas seria a licença de Lula da presidência, liberando-o para participar ativamente dos palanques de Dilma. A outra, refere-se a possibilidade de impedimento judicial da candidatura Dilma. Um novo candidato seria rapidamente produzido e o envolvimento de Lula seria ainda maior.

Assim, a guerrilha judicial do PSDB, terreno onde tem levado vantagem sobre o PT, traz vantagens momentâneas. Mas, pode não ser o melhor caminho a ser adotado. Ao ser multado em sequencia, Lula poderá ser levado à licença e se transformar - de fato e de direito - no cabo eleitoral de Dilma. Por outro lado, considerado o cenário econômico e a falta de discurso, não resta muitas opções para a oposição.

Pallocci e o mercado financeiro

24/05/2010

Do Valor
Palocci faz interlocução com mercado
O ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci firmou-se como o principal interlocutor com os mercados financeiros da pré-candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, durante sua apresentação a investidores em Wall Street na semana passada.

Discreto, Palocci desembarcou em Nova York no começo da semana passada, dois dias antes da chegada de Dilma, para se reunir com representantes das principais instituições financeiras, como o Blackrock. O ex-ministro não deu muitos detalhes sobre sua agenda em Wall Street. “Só vim para ouvir as preocupações e avaliações do mercado”, afirmou.

O Valor conversou com alguns dos investidores que se encontraram com Palocci. “Ele respondeu às nossas perguntas, explicando como será a economia num governo da Dilma”, afirmou o gerente de risco de um banco europeu com forte presença em Wall Street. “Palocci falou em nome da campanha da Dilma.”

O ex-ministro mostrou ter bom trânsito com os mercados. Ele entrou no evento promovido pela BM&F Bovespa, no qual Dilma fez uma palestra, conversando com o banqueiro Bill Rhodes, do Citibank, que nos anos 80 foi o renegociador da dívida externa brasileira e hoje, aposentado, segue como um privilegiado consultor do alto comando do banco.

Dilma, em sua apresentação, fez questão de prestigiar Palocci, sinalizando afinidade de pensamento. Primeiro, afirmou que a resistência da economia brasileira à crise internacional devia-se à boa administração macroeconômica do ex-ministro. “Sem sombra de dúvida, o ministro Palocci foi quem introduziu essa agenda dentro do governo Lula”, afirmou a pré-candidata. “Buscamos simultaneamente o controle da inflação, o equilíbrio fiscal com redução do endividamento e o aumento da robustez externa através do câmbio flutuante.”

Mais adiante, Dilma voltou a se referir a Palocci como responsável pelo avanço da chamada agenda microeconômica, com reformas no setor da construção civil, crédito imobiliário, quebra do monopólio dos resseguros e nova lei de falências de empresas.

“O que a Dilma falou na apresentação foi bem em linha com o que ouvimos do Palocci dias atrás”, disse ao Valor William Landers, diretor do Blackrock. “A Dilma parece ter sido bem instruída por Palocci sobre o que o mercado queria ouvir”, afirmou o diretor de risco de um banco americano.

A proximidade entre Dilma e Palocci também ficou clara para quem estava na plateia. “Eles parecem bastante afinados, o que é muito bom”, afirmou o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros. “O Palocci é um craque.”

Dilma também procurou associar sua imagem ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, considerado pelos mercados um fiador da estabilidade macroeconômica. Na quinta-feira, ela participou de um jantar de gala em homenagem a Meirelles promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. “Estou muito feliz pelo Meirelles”, disse, na entrada do evento. (AR)

Lavareda: Eleitor do terceiro mandato de Lula decide eleição

Claudio Leal


Em entrevista a Terra Magazine, o sociólogo e consultor político-estratégico, Antonio Lavareda, analisa os resultados da pesquisa Datafolha, divulgada neste sábado (22), e avalia que a pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, realizou uma "trajetória impressionante" nos últimos dois anos nas intenções de voto. Para Lavareda, ex-estrategista de Fernando Henrique Cardoso, se 80% dos eleitores que desejavam um terceiro mandato para Lula aderirem a Dilma, "ela ganha a eleição".

- A Dilma já realizou até agora um pouco menos de 70% desse público. Quer dizer, realizou na intenção de voto no segundo turno. No primeiro turno, ela só realizou 55% desse eleitorado. (...) A eleição de 2010 vai se resolver em torno dessa questão: se os eleitores que gostariam de votar num terceiro mandato votarão ou não na Dilma Rousseff - observa Lavareda.

Na pesquisa Datafolha, Dilma e Serra estão empatados em 37%. O tucano caiu cinco pontos e a petista subiu sete. No voto espontâneo, quando os entrevistados não são apresentados a uma lista de candidatos, Dilma conta com 19%; Serra, 14%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos

Confira os principais trechos da conversa com Antonio Lavareda.

"Dilma tem potencial de 24% de votos espontâneos"
"Primeiro lugar, ela converge na mesma direção das pesquisas realizadas por outros institutos. Ou seja, independentemente dessa pesquisa específica, nós devemos refletir sobre o que deve estar ocorrendo. O crescimento recente da Dilma, que nesse mês de abril, segundo o Datafolha, fez esse movimento, a causa disso também já está estabelecida por todas as reflexões a respeito: exposição da Dilma nos programas de televisão, nos comerciais, etc. Agora, o que chama a atenção? A dianteira da Dilma nas intenções de voto espontâneas. Ela abre uma liderança de 5 pontos sobre o candidato Serra, lembrando que há ainda um estoque de reserva de 5 pontos de intenção de voto espontâneo no Lula. Na verdade, você pode pensar que, potencialmente, a Dilma tem hoje cerca de 24% das intenções de voto espontâneas, o que é um número bastante expressivo a essa altura do processo eleitoral."

"Em dois anos, Dilma reverteu diferença de 40 pontos"
"Outra coisa importante dessa pesquisa é que, independente da margem de erro, a Dilma ultrapassa, nominalmente, o Serra no segundo turno. Quando você olha pra trás, pra 2008, nesse mesmo período do ano - em abril, maio -, a liderança de Serra era de 40 pontos, no segundo turno, sobre a Dilma. Em maio de 2009, a diferença era de 20 pontos. E agora estão empatados, o que mostra uma trajetória impressionante da candidata Dilma Rousseff. Ela uma revertou uma diferença de 40 pontos das intenções de voto no segundo turno. Esse é o dado que mais chama a atenção na pesquisa: a evolução dela no segundo turno. Até porque já se sabe hoje que essa vai ser uma eleição resolvida no segundo turno. Ela tem uma trajetória impressionante. Evidentemente, essa trajetória está associada ao Lula."

"Eleitor do terceiro mandato decidirá a eleição"
"Como já tive a oportunidade dizer em outras circunstâncias, na verdade, o que está por trás da intenção de voto da Dilma, o que está em questão, é o terceiro mandato do Lula. A Dilma está avançando no eleitorado de terceiro mandato de Lula. A parcela da opinião pública que gostaria de votar no Lula varia entre 60% e 75% A Dilma já realizou até agora um pouco menos de 70% desse público. Quer dizer, realizou na intenção de voto no segundo turno. No primeiro turno, ela só realizou 55% desse eleitorado. Então, resta ver se ao longo da campanha ela vai conseguir capitalizar toda essa parcela do eleitorado que gostaria de um terceiro mandato do presidente Lula. Ou se não vai conseguir isso. A eleição de 2010 vai se resolver em torno dessa questão: se os eleitores que gostariam de votar num terceiro mandato votarão ou não na Dilma Rousseff. Se 80% desses eleitores aderirem a Dilma, ela ganha a eleição. Essa é a questão básica da eleição deste ano."

"Serra e Marina não encontraram posicionamento ideal"
"Aparentemente, não (está funcionando a estratégia de Serra não atacar Lula). Até o momento, não. O grande desafio de candidatos oposicionistas que se defrontam com circunstâncias tão positivas para o candidato oficial se resume a uma palavra: "posicionamento". Como se posicionar na disputa. E é nessa direção que o Serra e a Marina têm investido. O que eles têm dito, tudo o que eles têm apresentado na televisão até o momento, é uma espécie pré-teste do que eles imaginam que vão poder fazer na campanha adiante. Nem a Marina, nem o Serra encontraram seu posicionamento ideal. Isso é natural. Até o início da propaganda na televisão, eles podem arriscar em diversas direções."

Efeito Ciro Gomes
"Contribui (a saída de Ciro da campanha). Se você pensar a parcela de votos dela, agora, migraram naturalmente das intenções de voto de Ciro Gomes. Mas também intenções de voto do Serra migraram do Ciro Gomes. Essa questão Ciro Gomes não explica esse desempenho da Dilma. O que explica é a exposição na televisão. Mas exposição de quê? Da mensagem de que ela é a continuidade do governo Lula. Ela encarna e representa o terceiro mandato de Lula."