sexta-feira, 18 de junho de 2010

PI: Silvio Mendes (PSDB) 35,5% x 22,4% João Vicente Claudino (PTB)

no Piauí, Dilma tem 52,5% e Serra 30,5%

Na sondagem, os eleitores também expuseram sua preferência de candidato na eleição presidencial. Dilma Rousseff (PT) ficou com 52,5% dos votos, José Serra (PSDB), 30, 5%, e Marina Silva (PV), 5,8%. O nanicos Plínio de Arruda Sampaio ficou com 0,6% e declararam estar indecisos, votar em branco ou nulo, 10,6% dos entrevistados.

MT: Silval (PMDB) 29% x 29% Wilson Santos (PSDB)

no Mato Grosso, Serra e Dilma estão empatados

Presidente
Para a Presidência da República, o Ibope indica diferença em relação à sondagem de maio. José Serra (PSDB) liderava a disputa no Mato Grosso com 43% das intenções de voto. Porém, caiu mais que os 3 pontos percentuais da margem de erro e ficou com 39%. Dilma cresceu mais que a margem de erro, deixando os 32% de maio para alcançar 37% em junho. Assim, a petista e o tucano ficam tecnicamente empatados (ela pode ter de 34% a 40% e ele, de 36% a 42%).

Brizola Neto: MPE atenta contra liberdade de expressão

Em nome do direito à liberdade
sexta-feira, 18 junho, 2010 às 10:36

do deputado Brizola Neto, no Tijolaço

Quando se aplica uma lei, interpreta-se o seu sentido. Tenho dito aqui que é justamente por isso que juízes não poderão, jamais, ser substituídos por funcionários burocráticos. Juízes são imprescindíveis e juízes sábios são a mais completa realização do espírito da lei.

A lei que regula a propaganda eleitoral visa, essencialmente, duas coisas. Uma, garantir o equilíbrio de oportunidades entre cidadãos, candidatos e partidos. Outra, conexa, evitar o abuso do poder político, econômico e estatal – inclusive daquele que é concedido, nos meios de comunicação – na promoção de candidaturas.

Quando um partido monta um site, é uma pessoa jurídica de direito privado – sujeita, por ser pessoa jurídica, a funcionamento regulado, especialmente por lidar com recursos de origem pública - fica absolutamente restrito aos limites que a lei determina. E fica assim porque, como instituição à qual se concedem direitos especiais – recursos públicos, acesso a espaço nos meios de comunicação concedidos, privilégios de representação judicial – dela também se exigem deveres especiais. E isto permanece válido mesmo que se utilize dos serviços de uma terceira pessoa, uma empresa, para praticar seus atos.

TSE quer engarrafar a blogosfera. TSE não entende de blogosfera

por Luiz Carlos Azenha

O Tribunal Superior Eleitoral quer controlar a blogosfera. O tribunal entende (entende?) que pode determinar o que é ou não é campanha antecipada na blogosfera.

O erro do TSE está em acreditar que a blogosfera pode ser engarrafada, sob o comando de Brasília. Sugiro aos blogueiros que se sentirem prejudicados — sejam do PT, do PSDB ou do PCdoB — que estabeleçam seus blogs em Santa Cruz de La Sierra, Bogotá ou Miami.

Será que o TSE tem jurisdição lá?

A nota reproduzida no blog da Dilma deu no UOL:

TSE exige que Google revele autor de blog pró-Dilma

Procuradoria solicitou que site que promove a petista seja tirado do ar

Google afirma que ainda não foi notificado da decisão; blog diz que seus responsáveis não são ligados ao governo

DE BRASÍLIA

O ministro Henrique Neves, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), determinou anteontem que o Google Brasil informe em 24 horas, a partir do recebimento da notificação, quem é o responsável pelo “Blog da Dilma” (dilma13.blogspot.com), hospedado pela empresa.

O pedido foi feito pelo Ministério Público Eleitoral, que também solicitou que o site seja retirado do ar, pois publica textos enaltecendo a pré-candidata à Presidência Dilma Rousseff, “com pedido expresso de ajuda financeira” destinada não só ao blog, mas à “campanha eleitoral”.

Neves avaliou que a identificação do dono do blog é preparatória para uma ação.

Ontem, o “Blog da Dilma” publicou a nota “A oposição quer calar o Blog da Dilma”, assinada por Daniel Bezerra (“criador e editor-geral”) e Jussara Seixas (“editora”).

A nota diz que os blogueiros são cidadãos “sem nenhum vínculo partidário”: “Não somos pagos pelo partido ou pelo governo”.

E conclui: “Temos e-mails, não somos anônimos, temos telefones disponibilizados no blog e estamos inteiramente à disposição do TSE”.

O Google Brasil disse que, até o fechamento desta edição, ainda não havia sido notificado, “estando impossibilitado de se manifestar sobre qualquer aspecto do caso”. A empresa defendeu “a liberdade de expressão”, mas afirmou que “os casos de uso indevido dessa liberdade” são avaliados pelo Judiciário.

O Ministério Público pediu ontem que outro blog (euqueroserra.blogspot.com), desta vez de apoio ao tucano José Serra, seja retirado do ar. Pediu ainda que o Google Brasil informe quem são os responsáveis pelo site.

O caso foi distribuído à ministra do TSE Nancy Andrighi.

A crise do parlamento

Do Valor

O desiludido utópico

Rosângela Bittar, de Brasília
18/06/2010

O deputado mineiro Paulo Delgado (PT) disputa em outubro, aos 59 anos, o sétimo mandato de deputado federal. Professor e sociólogo, é um político reconhecido por exercer a tarefa parlamentar sem perder as rédeas do pensamento que o faz um crítico agudo da instituição a que pertence. À distância da omissão, porém, pois Delgado não choraminga em berço esplêndido: é autor ou coautor de leis e resoluções que tentaram organizar e moralizar a Casa onde exerce o mandato que lhe foi dado pelo eleitor.

Por exemplo: é um dos autores do artigo 37, parágrafo 1º da Constituição Federal, que proíbe propaganda pessoal dos governantes, um dos problemas que denigrem a política. É autor da lei das cooperativas sociais, que regulamenta o trabalho das pessoas em desvantagem, e da lei da reforma psiquiátrica, que dispõe sobre o tratamento aberto dos doentes mentais. Desta, se orgulha de ter levado adiante uma proposta que nasceu totalmente da sociedade.

Autor do projeto de lei da responsabilidade educacional e do projeto de lei que limita o uso da propaganda pelo Estado - novamente aqui está o parlamentar às voltas com a propaganda que deturpa o funcionamento das instituições - e relator do Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Delgado é autor do projeto de lei que regulamenta a terceirização no Brasil.

E, sobretudo, um trabalho de resultados claros no conjunto de resoluções e leis que tentaram levar alguma disciplina ao parlamento, alguma ordem ao exercício de suas atribuições, algum constrangimento aos que não se preocupam com questões éticas. Foi autor, nessa linha de trabalho, do dispositivo constitucional que cassa o mandato do deputado ausente e do projeto de resolução que cassou, com grande repercussão à época, o mandato dos deputados Felipe Cheid e Mario Bouchardet, na Constituinte, por ausência ("lei dos gazeteiros").

Identificado com os temas da educação e das relações exteriores, receberam sua participação dezenas de trabalhos do parlamento nessas áreas. A propósito do desencanto do eleitor e de alguns políticos com a vida parlamentar, o deputado teve com a seguinte conversa com o Valor:

Valor: Depois de seis mandatos e preparando-se para o sétimo, tem uma avaliação sobre a desilusão de muitos com o parlamento e a desistência de poucos a seguir disputando eleições?

Paulo Delgado: A desilusão é uma não escolha e também um grito de alerta. A política se complicou para políticos independentes e que defendam a autonomia dos eleitores. O campo democrático do diálogo livre e do debate com a sociedade diminuiu, substituído pela oferta de tudo sob o controle do Estado. Os partidos políticos, cada vez mais empresas privadas lucrativas, incentivam isso do Estado total, pois são sustentados por ele. Muitos eleitores também. Seu voto tem dono e é usado para pagar compromissos. A desculpa é sempre obra, verba, emenda, liberação, orçamento. Ou seja, obrigações constitucionais do Estado viraram negócios eleitorais de parlamentares. Quem testa a desilusão de um político é o eleitor. Ela tem muito a ver com a eficácia do parlamentar em tempos de novos valores da eficácia.

Candidatura fragmentada

Artigo

Alguns dias depois da convenção nacional que mais parecia um velório, o candidato da oposição demo-tucana, José Serra, vivencia um verdadeiro ocaso de suas pretensões presidenciais. Caindo nas pesquisas de opinião, sem um nome definido para vice, sem palanques eleitorais fortes em vários Estados e com riscos de fratura onde já havia coligação pré-definida. O retrato da candidatura Serra hoje é o da fragmentação.

Órfão de propostas consistentes ao futuro do país, Serra lançou sua candidatura na Bahia, na companhia dos herdeiros do “carlismo”, como Paulo Souto (DEM-BA) e os deputados ACM Neto (DEM-BA) e José Carlos Aleluia (DEM-BA). Este último é cotado para vice, mas o PSDB tenta negar ao aliado histórico, o DEM, a indicação, em mais uma fissura na já combalida coligação.

Nos Estados, a situação se repete. Basta ver o que está acontecendo na Região Sudeste.

Em Minas Gerais, não terá o apoio de fato do ex-governador Aécio Neves, de quem Serra tirou a chance de ser o candidato da oposição à Presidência. Oficialmente, Serra terá um palanque em Minas, porque é do mesmo partido que Aécio. Mas, na prática, o candidato tucano a presidente não terá o apoio da base de Aécio.

A pesquisa do Instituto Sensus, a primeira feita no Estado após o fechamento da aliança nacional entre PT e PMDB, revela que o senador Hélio Costa (PMDB) pode vencer o governador Antonio Anastasia (PSDB) no primeiro turno —49,5% a 20,7%. A mesma pesquisa mostra que a candidata Dilma Rousseff (PT, com apoio fechado do PMDB, PSB, PCdoB, PDT, PR, PRB e PTN) já aparece na frente de Serra nas intenções de voto em Minas.

No Rio de Janeiro, os tucanos agora caminham para um racha na costura que fizeram para o governo. Escolhido desde a primeira hora para ser o nome de Serra no Estado, o deputado Fernando Gabeira (PV) agora gera dúvidas no tucanato. Não sabem mais se foi certo ter no mesmo palanque encabeçado por Gabeira dois candidatos a presidente —além de Serra, a senadora Marina Silva (PV). As dúvidas começam a implodir a coligação a dois dias da convenção que oficializará a candidatura Gabeira.

A razão é que parte dos tucanos não aceita ficar sem candidato ao Senado, por isso, trabalha para excluir da chapa majoritária o nome do ex-deputado Marcelo Cerqueira (PPS), amigo de Serra. A ideia é substituí-lo pelo do deputado Márcio Fortes, hoje vice de Gabeira. Ou seja, além de fragmentar um palanque definido, ainda que dividido, Serra pode deixar para Gabeira a tarefa de ter de escolher um novo vice, o que irritou os aliados DEM e PPS.

Os problemas de Serra chegaram também a São Paulo, Estado que governava até abril deste ano e considerado seu principal reduto. O apoio declarado do líder do DEM na Câmara paulistana, vereador Carlos Apolinário ao candidato a governador de São Paulo Aloizio Mercadante é reflexo da falta de articulação de Serra e consequência da crise vivida nas candidaturas tucanas.

O candidato do PSDB ao governo paulista, Geraldo Alckmin, é acusado de fazer corpo mole e se negar a entrar na campanha de Serra. Seria uma represália à falta de apoio de Serra quando Alckmin disputou a Prefeitura de São Paulo.

Além disso, há a crise criada com o PTB, porque o senador Romeu Tuma foi alijado da chapa para o Senado por conta de um acordo de Serra com Orestes Quércia.

Os problemas de Serra com seus aliados se multiplicam pelo país afora —no Pará, por exemplo, o DEM quer apoiar a reeleição da governadora Ana Júlia Carepa (PT).

Assim, o que Serra tem hoje são alianças frustradas, palanques divididos e candidatos em disputa no mesmo palanque, compondo um quadro de uma candidatura fragmentada.

Mas o maior dos problemas do tucano é que a candidatura de Dilma já mostrou que tem força suficiente para vencê-lo nas próximas eleições. Apoiada em um conjunto de propostas para fazer o país avançar ainda mais, Dilma tem definido seu vice, o deputado Michel Temer (PMDB), e vê passo a passo as alianças e os palanques se consolidarem nos Estados. O resultado é seu sólido crescimento nas pesquisas.

José Dirceu, 64, é advogado e ex-ministro da Casa Civil

Apae. Corte de verbas terá impacto no atendimento

Entidade estuda demitir 25 profissionais, entre eles fisioterapeutas e psiquiatras

Deu no Santa

BLUMENAU - Um corte de verbas anunciado pelo governo do Estado no início do ano põe em risco o serviço oferecido pela Apae no município. Caso a redução dos recursos algo em torno de 70% para toda Santa Catarina destinados às entidades se confirme, Blumenau prevê impacto nos atendimentos clínicos, com a demissão de cerca de 25 profissionais, entre eles fisioterapeutas, psiquiatras, nutricionistas e terapeutas. Detalhes dos prejuízos que a decisão do Estado acarretará serão apresentados em coletiva de imprensa, hoje de manhã, pela diretoria da Apae.

Ano passado, foram feitos 78 mil atendimentos clínicos na Apae de Blumenau entre os 430 alunos. Mas o corte de verbas também pode prejudicar o trabalho educativo e social da entidade.

– Quem sai perdendo mesmo são os alunos, que vão ficar sem serviços que contribuem muito para o desenvolvimento deles – lamenta a diretora geral da Apae de Blumenau, Ivone de Castro.

A maior dúvida de Ivone é sobre quem vai arcar com as despesas. Desmontar a estrutura conquistada nos últimos anos significa retroceder, na opinião dela. Com os cortes, os profissionais teriam de fazer mais de três consultas para receber por apenas uma. O secretário de Saúde de Blumenau, Marcelo Lanzarin, explica que o município não pode arcar com os custos:

– A Secretaria de Saúde não possui recursos próprios para cobrir esses cortes. Vou me reunir com o prefeito para ver a possibilidade de a prefeitura ajudar nos gastos.

Desde o ano passado, quando o governo federal anunciou cortes no convênio entre as Apaes e o SUS, as entidades catarinenses mantinham os serviços com recursos estaduais.

– Devido à força do movimento com o governador Luiz Henrique, o Estado arcou com a diferença destes valores até o final do ano – explicou a presidente da Federação das Apaes do Estado, Rosane Vailatti.

No início deste ano, no entanto, os cortes foram retomados. A diretoria geral das Apaes do Estado elaborou um manifesto que foi enviado ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão, aos senadores, deputados federais e outras autoridades. O documento pede providências quanto à redução do repasse de recursos do SUS. Na próxima quarta-feira, uma audiência pública na Assembleia Legislativa, em Florianópolis, discutirá o assunto.

ENTENDA O CONVÊNIO

- O convênio entre as Apaes de Santa Catarina e o SUS foi firmado em setembro de 2002. A ação proporcionou às entidades equipes multiprofissionais e multidisciplinares

- No ano passado, quando o governo federal anunciou o corte de verbas destinado ao convênio, as Apaes catarinenses conseguiram verbas estaduais para se manter

- No começo deste ano, a Secretaria de Estado da Saúde comunicou às Apaes a diminuição do repasse em relação ao funcionamento das Equipes Multidisciplinares, alegando diminuição de receita, ingresso de novas instituições, falta de revisão dos valores repassados pelo Ministério da Saúde. Sobretudo, inexistência de recursos financeiros com redução em torno de 70% para todo o Estado

O IMPACTO

Com o corte de verbas por parte do Estado, a Apae de Blumenau, que hoje atende 430 pessoas, pode reduzir o atendimento clínico feito por fisioterapeutas, nutricionistas, psiquiatras e terapeutas.

Em 2009, a escola fez 78 mil atendimentos clínicos

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Marina Silva, candidata do PV, durante sabatina

Enviado por luisnassif, qui, 17/06/2010 - 11:58

Do Valor

Uma ilha cercada de São Paulo por todos lados

Maria Inês Nassif
17/06/2010

Ao longo das últimas eleições, o PSDB tem se tornado uma ilha cercada de São Paulo por todos os lados. Desde que perdeu as eleições presidenciais de 2002, o partido de José Serra iniciou uma queda ininterrupta na sua bancada federal, que tem sido atenuada pelo desempenho eleitoral no mais rico - e mais denso eleitoralmente - Estado da Federação. São Paulo é a sua âncora eleitoral possivelmente porque é o único Estado onde se criou uma ligação propriamente orgânica do partido com o eleitorado. A parcela do eleitorado paulista que vota no PSDB está escolhendo um projeto político e ideológico identificado com o partido. Nos demais Estados, essa identificação é mais fluida.

Em 1998, quando era poder, tinha um candidato à reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso, e uma sólida base de apoio, o PSDB paulista fez 15 deputados federais com os cerca de 20% dos votos obtidos no Estado. Em 2002, sob o baque da derrota de Serra, elegeu apenas 11, com 17,8% dos votos. Em 2006, São Paulo se descolou da tendência nacional pró-PT, na disputa pela Presidência, e fez Serra governador já no primeiro turno, uma bancada de 18 deputados federais eleita com 21,1% dos votos do Estado para a Câmara e ainda deu 54,2% ao então candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin.

A sabatina de Marina Silva

Da Folha

SABATINA FOLHA
MARINA SILVA
Brasil não precisa de um "continuador", diz Marina


Marina Silva, candidata do PV, durante sabatina

SENADORA ELOGIA PRESIDENTE E DIZ QUE AINDA CONSEGUE "SENTIR" SEU CORAÇÃO

Nem opositor nem continuador. Em sabatina promovida pela Folha e pelo UOL, a candidata do PV ao Planalto, Marina Silva, disse ontem que o país precisa de um sucessor do presidente Lula, que saiba reconhecer defeitos e qualidades de seu governo.
Ela tentou se diferenciar de José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), que estariam comprometidos com o ataque e a defesa incondicional da gestão petista.
Em terceiro lugar na corrida presidencial, com 12% pelo Datafolha, a senadora negou ser mais condescendente com o tucano. E afagou o eleitorado lulista, dizendo ser capaz de sentir "a alma e o coração" do presidente. "As pessoas vão continuar votando num Silva, só que na Marina Silva", brincou.

DE SÃO PAULO

Participaram da sabatina Vera Magalhães, editora do caderno Poder; Renata Lo Prete, editora do Painel; Fernando Rodrigues, colunista da Folha e do UOL; e Rodrigo Flores, gerente-geral de notícias do UOL.
Marina também respondeu perguntas enviadas por internautas e eleitores que assistiram à entrevista no Teatro Folha, em São Paulo.

PSDB agora quer candidato próprio no Rio e ameaça candidatura de Gabeira

A dois dias do lançamento formal de sua candidatura, o palanque do pré-candidato do PV ao governo do Rio, Fernando Gabeira, está sob risco de demolição.

Com o aval do candidato tucano à Presidência, José Serra, o comando do PSDB decidiu lançar um candidato majoritário --com o número 45-- no Estado.

A decisão é que Márcio Fortes (PSDB) deixe a vice de Gabeira para tentar o Senado, no lugar de Marcelo Cerqueira (PPS).

Hoje, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, desembarca no Rio para viabilizar a substituição. Fracassada a negociação, não se descarta a hipótese de ruptura com o PV para lançamento de uma candidatura própria.

Guerra sugeriu a troca aos presidentes do PPS, Roberto Freire, e do DEM, Rodrigo Maia, em duas reuniões. Os dois rechaçaram.

Freire se recusou a conversar com Cerqueira para que abra mão da candidatura ao Senado em favor de um tucano. "O PSDB precisa respeitar os aliados", disse Freire, chamando a proposta de "invenção de marqueteiro". Maia também reagiu: "Se não confiam que vamos pedir votos para o Serra, por que estamos aliados?".

O lançamento de um candidato do PSDB ao Senado poderia prejudicar seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que também tenta vaga na Casa. "Faltam dois dias para a convenção", lembrou Cesar Maia.

Seguindo orientação da coordenação de comunicação, o comando do PSDB alega que Serra precisa de um palanque eletrônico no Rio, uma campanha exclusivamente dedicada à fixação do 45 no Estado.

Terça, no café com Freire, Guerra chegou a ventilar a ideia de candidatura própria ao governo do Rio. À mesa, Fortes discordou. "De que adianta um candidato próprio com 2%?".

Gabeira reconhece o risco de implosão. Mas diz não poder se "manifestar sobre o que não aconteceu".

Marina

Hoje, os tucanos avaliam como errada uma aliança sem um único palanque exclusivo de Serra no Rio. Avalista do acordo, a candidata do PV, Marina Silva, também demonstra desconforto com a situação. Ontem, recomendou aos aliados um roteiro em que não se encontre com Serra na convenção estadual do PV.

A pedido de Marina, a participação dos dois acontecerá em momentos diferentes. Na oposição, a possibilidade de apoio a Joaquim Roriz (PSC) no DF também abala a aliança. "O PPS não apoiará Roriz", avisou Freire.

Não houve interesse em ajudar Dilma, diz Lula

Deu em O Globo
Presidente diz que gasto extra vai ser compensado com aumento do consumo

Luiza Damé:

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ontem que tenha sancionado um reajuste maior para os aposentados que ganham acima do salário mínimo para evitar prejuízos à campanha à Presidência da petista, Dilma Rousseff.

Disse acreditar que sua medida beneficiará tanto Dilma como seus principais adversários: José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV).

Para Lula, o que o governo está gastando a mais agora com aposentados voltará em parte aos cofres públicos, por meio de impostos, porque deverá aumentar o poder de compra de mais de 8 milhões de pessoas. O presidente afirmou que seu governo manterá a rigidez fiscal.

— Fiquei imaginando se todos os prejuízos que o Brasil poderia ter seria dar 1,7 (bilhão de reais) a mais para os aposentados, além do que já tínhamos dado. O aumento de consumo que essa gente vai ter nos próximos meses vai recuperar parte desses recursos em impostos que o governo mesmo vai cobrar, e vai ajudar a economia brasileira a se dinamizar — argumentou Lula, após se encontrar com o presidente do Peru, Alan García, em Manaus.

O atendimento ao pleito dos aposentados, segundo Lula, pode trazer benefício eleitoral não apenas para sua candidata.

— Não sei porque isso ajudaria a Dilma. Isso pode ajudar o Serra, pode ajudar a Marina, mas, certamente, vai ajudar 8 milhões de aposentados que ganham mais do que um salário mínimo. Esses serão ajudados. Tenho certeza de que eles não vão comprar dólar, carro. Vão comprar arroz, feijão, meia, roupa para os netos — disse Lula.

Com calculadora nas mãos

Combinação de resultados pode eliminar seleção brasileira, mesmo invicta, ainda na primeira fase
Mauricio Fonseca e Marcos Penido:

Apesar de liderar o Grupo G com três pontos, contra um de Costa do Marfim e Portugal, o Brasil encontra-se em situação, no mínimo, delicada. A vitória de 2 a 1 sobre os apenas esforçados norte-coreanos, na estreia, acabou sendo um mau resultado em termos de classificação.

Agora, se o Brasil não vencer os adversários, portugueses e africanos enfrentarão os asiáticos sabendo que qualquer vitória por dois ou mais gols de diferença será suficiente para ultrapassar a seleção brasileira no saldo de gols, primeiro critério de desempate na Copa do Mundo.
Sendo assim, a partida contra a Costa do Marfim, domingo, no Soccer City, em Johannesburgo, será importantíssima para a equipe do técnico Dunga.

PCdoB tenta frente contra Sarney e PT

Comunistas oficializam, porém, apoio à candidatura da petista Dilma
O Globo:

Com a decisão do diretório nacional do PT de retirar o apoio do partido à candidatura do deputado Flávio Dino (PCdoB) ao governo do Maranhão para apoiar a reeleição da governadora Roseana Sarney (PMDB), os comunistas iniciaram ontem negociações com o PDT para tentar formar uma frente única no estado, contra o grupo Sarney, com cinco partidos. A estratégia é lançar apenas um candidato de oposição ao Palácio dos Leões.

Ontem, durante a convenção nacional do PCdoB que oficializou apoio à candidatura de Dilma Rousseff, o presidente nacional da legenda, Renato Rabelo, explicitou publicamente, pela primeira vez, sua insatisfação com o fato de o PT nacional ter desautorizado o apoio do PT maranhense a Flávio Dino.

— Sabemos que a relação política é feita de compromisso e interesse. O PT tem seus compromissos e interesses. E está claro que a prioridade é a aliança PT-PMDB. Ao revogar o apoio a Dino, o PT nacional deu uma sinalização de que não é boa, pois constrange a nossa militância e o partido — disse Rabelo, defendendo a união de forças contra o grupo Sarney.

— Vamos buscar solução política. O Jackson Lago pode fazer um acordo apoiando Dino ou podemos aglutinar forças em torno de Jackson (Lago, ex-governador).

TSE cobra informações sobre blogs

Ministro dá prazo de 24 horas à Google para identificar site; MPE questiona página a favor de Serra na rede

Isabel Braga e Carolina Brígido:

O ministro Henrique Neves, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu prazo de 24 horas para que a empresa Google Brasil Internet Ltda forneça a completa identificação dos responsáveis pelo conteúdo do site "Blog da Dilma" (http://www.dilma13.blogspot.com/).

O despacho foi dado em atenção à ação do Ministério Público Eleitoral que acusa o blog de fazer propaganda eleitoral antecipada em favor da candidata do PT, Dilma Rousseff. O ministro não atendeu o pedido de liminar para a retirada do site do ar.

O ministro enfatiza que a Google, "como provedora de hospedagem, apenas disponibiliza os meios físicos e eletrônicos para armazenamento das páginas que compõem o referido blog" e que só estará descumprindo a legislação se comprovado conhecimento prévio do suposto delito.

O ministro reconhece que o blog contém informações sobre quem o criou. Mas a Google terá que confirmar se os nomes que constam no site são mesmo os dos responsáveis por ele. O blog informa que seu criador foi Daniel Bezerra de Oliveira.

(...) Para o MPE, além de fazer propaganda antecipada, o blog em favor de Dilma traz pedido expresso de ajuda financeira "pretensamente destinada não só as despesas do próprio blog, mas, também, à confecção de vários tipos de materiais de campanha eleitoral".

Ontem, o MPE entrou no TSE, também contra a Google Brasil, para questionar blog que estaria fazendo campanha eleitoral antecipada para o candidato do PSDB, José Serra, e que ela também hospeda. A ação faz referência à página na internet "euqueroserra.blogspot.com".

Para o MPE, a empresa deve ser responsabilizada, já que o site não identifica os responsáveis pelo conteúdo. Segundo a ação, o blog estampa a imagem do tucano com os dizeres "Quero José Serra Presidente 45: Campanha online".

O Ministério Público argumenta que a permanência da página no ar "trará como consequência o desequilíbrio entre os candidatos na disputa ao cargo eletivo máximo do país".

Cadastro rudimentar para hospedar blogs

Deu em o O Globo

Google guarda só e-mail dado pelo criador

Nelson Vasconcelos:

O Blogger é o mais popular serviço gratuito de criação e hospedagem de blogs. Foi lançado em agosto de 1999 pela californiana Pyra Labs, tornando-se um sucesso instantaneamente. Em 2002, foi comprado pela Google. Hoje, é o sétimo site mais acessado na internet.

Para criar um blog, o usuário tem que preencher um cadastro rudimentar, informando nada mais que seu endereço eletrônico e a data de nascimento. É um processo que se resolve em um minuto. Esses dados não são checados pela Google.

Nos "Termos de serviço" do próprio site existe uma cláusula que isenta a Google de qualquer responsabilidade sobre o conteúdo publicado em cada blog.

Se o usuário desrespeitar as regras e for denunciado à Google, a empresa pode simplesmente eliminar o blog. Tudo o que ela tem, em seu cadastro, é o e-mail fornecido pelo criador do blog. Por outro lado, o usuário mal intencionado pode criar inúmeros blogs, em serviços semelhantes, como o WordPress.

A Google tem como fornecer o endereço IP do blogueiro, assim como data e hora de criação e atualizações do blog. O endereço IP é o número que identifica o computador que foi usado para o acesso à internet.

Com esses dados, pode-se chegar ao provedor de acesso que o responsável pelo blog está usando. O provedor, sim, tem registros mais confiáveis a respeito do usuário.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O roteiro da eleição

Deu no Correio Braziliense

De Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi:

Com as convenções do fim de semana, o jogo da eleição presidencial assumiu feições definitivas. De agora até o final do mês, de relevante, só resta uma pergunta por responder, a de quem será o companheiro de chapa de Serra.

Não é algo que tenha impacto eleitoral decisivo, pois só em casos excepcionais o nome do vice faz alguma diferença apreciável. Ainda assim, é um lance que não foi jogado e que ocorrerá nos próximos dias, junto com os últimos acertos sobre coligações formais, que interessam pelas repercussões no tempo de propaganda gratuita na televisão e no rádio.

Mas o jogo fundamental foi concluído e uma coisa chama a atenção no modo como o tabuleiro acabou montado: o quanto é parecido com o que Lula queria. Ele não só moveu suas próprias peças de forma a conseguir o que havia planejado para Dilma, como antecipou corretamente os movimentos da oposição, assim se precavendo contra o que elas acabaram fazendo.

Ele talvez não calculasse que Marina fosse picada pela mosca azul de uma candidatura presidencial, que se dispusesse a deixar o PT, mudasse de partido e embarcasse em voo tão ambicioso. Sem ela, o cardápio da eleição ficaria ainda mais igual ao que ele havia imaginado, um plebiscito em que a população escolheria apenas entre alternativas, PT e PSDB, seu governo e o de FHC.

Em retrospecto, a única operação que poderia gerar traumas maiores nas fileiras do governismo, a retirada de Ciro Gomes do páreo, transcorreu sem deixar cicatrizes visíveis, pelo menos por enquanto. Lula, ao que parece, calculou bem que Ciro poderia ficar (e tudo indica que ficou) frustrado ao lhe ser subtraída a possibilidade de se apresentar como candidato, mas que não teria como se colocar contra Dilma, depois de tudo que dissera e fizera nos últimos anos.

Dentro do PT, os questionamentos a respeito da preferência por Dilma nunca foram significativos. O que faltava era aplainar resistências em algumas seções estaduais, de forma a conduzi-las todas a aceitar as reivindicações dos futuros parceiros na empreitada presidencial. Fundamentalmente, acomodar petistas e peemedebistas em conflito.

Pensando no conjunto do país, Lula só pediu de seus companheiros um sacrifício realmente grande, em Minas Gerais. Nos demais estados, a regra foi não interferir quando o PT tivesse candidatos viáveis aos governos estaduais ou ao Senado. É verdade que alguns grupos locais ficaram magoados, mas não foram forçados a abdicar de projetos concretos. Tiveram que engolir sapos ou adiar sonhos, mas não perderam nada de palpável. Talvez só lhes tenha sido exigido aquilo que antigamente se chamava “coerência”, mercadoria tão desvalorizada na política brasileira atual, não estivéssemos vendo, nos dois campos, casamentos tão esdrúxulos como os que estão em gestação.

Em Minas, não. Foi com dificuldade que o PT mineiro acatou o comando de se retirar da disputa pelo governo do estado, pois se sentia em plenas condições de pleiteá-lo. Mais ainda, não compreendia por que deixar de buscá-lo ajudaria Dilma. O argumento do palanque único não o justifica, pois seria até mais fácil raciocinar que dois ajudariam, ao invés de atrapalhar, o “projeto nacional”.

Mas Minas era parte do preço para ter o PMDB formalmente coligado, objetivo que Lula traçou desde o início, raciocinando que mais tempo de televisão para Dilma era menos tempo para Serra. Lá atrás, pouca gente acreditava que o alcançaria, mas ele chegou lá (não custa lembrar, no entanto, que a última e, até agora, única vez em que o PMDB se coligou com outro partido foi na candidatura Serra em 2002, com resultados conhecidos).

Quanto às oposições, Lula foi capaz de adivinhar direitinho o que fariam: o PSDB viria com Serra e os outros partidos o secundariam. Por elas, o segundo turno seria antecipado, que era o que ele queria. No tocante a Serra e Aécio, conhecendo a ambos, Lula deve ter apostado desde sempre que um nunca seria vice do outro.

O fim desta fase que fingimos ser de “pré-campanha” (fingindo respeitar uma legislação que nunca foi respeitada) deve ver Dilma assumindo a dianteira nas pesquisas. É a consequência natural de um jogo bem jogado. Quem o inventou foi Lula, que escreveu um roteiro do qual ninguém, incluindo os adversários, conseguiu escapar.

terça-feira, 15 de junho de 2010

ZÉ RAMALHO CHÃO DE GIZ

A mídia que ser “dona” da Dilma?

Do blog Tijolaço

O Globo, hoje, sem algo que tivesse para explorar contra Dilma, resolveu “cozinhar” e ampliar o chororô da Folha sobre o cancelamento da participação da candidata do Lula na tal “sabatina” que o jornal paulista vai fazer com os candidatos. Mesmo sabendo que Dilma está iniciando uma viagem para a Europa – e por isso cancelou sua participação – o jornal dos Marinho parte daí para dizer que ela “cancelou entrevistas que já estavam confirmadas e partiiu nesta segunda feira à noite para uma viagem”.

A matéria é tão desonesta que basta ler com mais atenção para ver a armação, construída para tentar mostrar que Dilma estaria acuada, se escondendo.

Quais eram “as entrevistas que já estavam confirmadas”? Nenhuma, à exceção da tal sabatina.

Pois não pode haver nada confirmado se o próprio jornal diz que ela “tem se recusado a conceder entrevista para a GloboNews, além do programa “CQC”, da TV Bandeirantes. Ela também não confirmou ainda participação na rodada de entrevistas dos presidenciáveis para o programa “Roda Viva”, da TV Cultura, embora sua assessoria diga que ela poderá ir à emissora no fim de junho, sem fixar data”.

O que estava confirmado, senhor redator de O Globo?

Mas a ânsia de provar a “tese” que construíram é tão grande que se produz esta pérola:

Coordenadores da campanha da petista dizem que ela não está fugindo do confronto direto com os adversários e que ela vai para a Europa porque foi convidada, mas assessores de líderes europeus disseram que os encontros foram pedidos pela candidata.

Primeiro, é obvio que os encontros foram – e só poderiam ser – pedidos por Dilma. Já imaginaram se fosse o contrário, os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso; e os primeiros-ministros da Espanha, José Luis Zapatero, e de Portugal, José Sócrates ligando para Dilma e dizendo para ela dar “um pulinho lá” para tomarem um café?

Segundo, porque ao encontrar-se com chefes de Estado e de Governo, qualquer pessoa vai fazer a agenda de acordo com o que eles podem, e não o que se quer. Imaginem o diálogo:

- E aí, Sarkozy, tudo em cima?

- Parle, Dilmá, toute legal?

- Tô querendo dar um pulinho no Palácio do Eliseu, pode ser?

- Clarô, Dilma, Chegue na heure que vous quisê. En la quarta-feirá, c´est bon?

- Quarta eu não posso porque vou gravar o CQC e vou ser recebida por Lord Merval Pereira, na Globonews…

- Globo o quai?

-Deixa, é no Palais du Jardin Botanique

- Enton viens na sèxte, que je suis com temps livrê.

E o que me impressiona mais é que tem uns manés que se preocupam em “desmentir” a sério uma historinha ridícula destas.

O Globo (e a Folha) precisam entender que existem políticos que não podem ser chamados estalando os dedos.

Dilma aumenta vantagem em Minas

Por Fernando Augusto Botelho

O TEMPO - Hélio Costa tem 29 pontos de vantagem sobre Anastasia, Pelo levantamento, tucano ainda sofre com alto índice de desconhecimento



O senador Hélio Costa (PMDB) lidera com folga a corrida para o governo de Minas, com 29 pontos percentuais à frente do governador e candidato à reeleição Antonio Anastasia (PSDB). É o que indica a nova pesquisa realizada pelo instituto Sensus que foi encomendada pelo Partido da República (PR).

De acordo com o levantamento, o peemedebista tem 49,5% das intenções de voto contra 20,7% do tucano. O candidato do PV, deputado José Fernando Aparecido, aparece com 3,9%, enquanto outros 25,9% seguem indecisos, pretendem votar em branco ou anular. A margem de erro da pesquisa é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

A comparação com a sondagem anterior, publicada no mês passado, revela que a distância entre os principais candidatos ao Palácio Tiradentes aumentou. Há um mês, o senador tinha 35,3% da preferência do eleitorado, e o governador, 22,7%. Ou seja, enquanto Hélio Costa cresceu 14,2 pontos, Anastasia perdeu dois pontos.

O senador também lidera a pesquisa na categoria espontânea e na simulação de segundo turno.

p>No primeiro caso, em que a lista de nomes não é apresentada ao eleitor, o candidato da base aliada do presidente Lula foi mencionado por 21,1% dos entrevistados. O postulante do ex-governador Aécio Neves foi lembrado por 12,2%. Porém, mais da metade do eleitorado (56,6%) continua indecisa ou promete votar em branco ou anular o voto.

Já na projeção para uma disputa em segundo turno, a vitória seria de 54,6% do peemedebista sobre 22,3% do tucano.

Limite. O Sensus também questionou o eleitor sobre o limite de sua intenção de voto. Nos quesitos, os resultados também foram negativos para Anastasia. Ele tem os maiores índices de rejeição e de desconhecimento. Dos entrevistados, 36,2% disseram que não conhecem o governador. Outros 19,3% informaram que não votariam no tucano, valor apenas 3,9 pontos acima da rejeição de Hélio Costa.

O senador do PMDB é o único candidato em quem votariam 27,3% dos entrevistados. Já o governador é a única opção de 16%. Das pessoas entrevistadas, 41,9% afirmaram que podem votar em Costa, enquanto 19,3% consideram a opção de votar em Anastasia.

Dados técnicos
Coleta. O instituto Sensus realizou 1.500 entrevistas em 53 município de Minas Gerais nos dias 10 e 11 de junho. Os números de registro da pesquisa são 34.286/2010, no TRE-MG, e 14.772/2010, no TSE.

ULTRAPASSAGEM

Dilma Rousseff tem 37% contra 32% de José Serra

A nova pesquisa Sensus também traz os números da disputa presidencial. Ela mostra a consolidação da candidata do PT, Dilma Rousseff, sobre seu principal adversário, José Serra, do PSDB. Dilma aparece com 37,3% contra 32,1% de...

TV Globo jogando a toalha?

A cobertura feita pela TV Globo no Fantástico, da convenção petista que oficializou a candidatura de Dilma Rousseff (PT), foi de quem desenganou a candidatura de Serra.

O tempo foi o mesmo dado a Serra no Jornal Nacional de sábado (quase 5 minutos), mas o surpreendente foi a edição realista e positiva do que foi a convenção:

O evento deu ênfase nas mulheres, e o Fantástico mostrou (só faltou mostrar Maria da Penha, inspiradora da lei, que estava lá).

O trecho mostrado de José Eduardo Dutra (PT/SE) foi narrado, o que suavizou as críticas, mas não escondeu o conteúdo com críticas ao governo passado e falando do apagão de 2001.

O trecho do discurso de Michel Temmer (PMDB/SP) foi positivo, otimista. Não forçaram ligação com lideranças do PMDB desgastadas com escândalos, como sempre fazem.

A biografia mostrada foi correta, sem estereótipos, e surpreendentemente sem recorrer aos factóides que a própria imprensa criou sobre ela, nem citaram a palavra dossiê, nem Lina Vieira, nem charuteira, nem ficha falsa.

O melhor de tudo foi a correção com que colocaram o discurso de Lula, narrando o trecho em que o presidente disse esperar campanha de alto nível e não o jogo rasteiro de denúncias por meio de dossiês; destacou que eleger Dilma faz parte de seu programa, e deixou o trecho do presidente dizendo:

- Vai ser a primeira eleição, desde que voltou as eleições diretas para presidente, que o meu nome não vai estar na cédula... vai haver um vazio naquela cédula... e para que esse vazio seja preenchido, eu mudei de nome e vou colocar lá Dilma na cédula!

Mais didático, impossível.

A seguir mostrou Lula cumprimentando e abraçando Dilma, com palavras de apoio incondicional, num clima de total engajamento na candidatura dela.

No programa de governo do PT, novamente não recorreram a estereótipos, não criticaram "controle da imprensa", "estatismo", etc, como sempre fazem. Pelo contrário destacaram os pontos positivos, que qualquer brasileiro concorda, como continuar políticas sociais e ampliar o bolsa-família, melhorar educação da creche à universidade, mais recursos e eficácia do SUS, melhorar habitação e universalizar saneamento básico, erradicar a miséria, fortalecer a proteção ao meio ambiente.

No discurso de Dilma, destacou os trechos dizendo sobre a importância de ser uma mulher concorrendo à presidência; em seguida, trechos com elogios a Lula, e de dar continuidade ao projeto de Lula.

A narração explicou que Dilma fez críticas ao governo passado que só governava para uma minoria. Incluiu o trecho do discurso de Dilma pregando a união, de governar para todos, dizendo que o governo Lula uniu todos os brasileiros, e ela continuará unindo, fazendo um governo para todos.

A edição encerrou mostrando (e narrando) a cena simpática, com meninas usando faixa presidencial, para mostrar que uma mulher pode chegar à presidência da República.

Para completar não teve nenhum colunista comentando para falar mal: nem Jabor, nem Lucia Hipólito, nem Alexandre Garcia, nem nenhum especialista do Instituto Millenium.

O programa funcionou sob medida para transferir votos de Lula para Dilma, foi muito positivo para conquistar indecisos, e para diminuir rejeição de gente influenciável pelo próprio PIG.

A edição foi literalmente "fantástica", em se tratando de TV Globo, e deve ter provocado um ataque de fúria em José Serra.

Das duas uma: ou os editores anti-Lula estavam de folga, e novatos não sabiam que podiam fazer um programa honesto assim, e cabeças vão rolar... ou... a Globo já desenganou Serra e começou a bajular aquela em que já apostam como futura Presidenta.

PT pede para PF investigar o caso "quebra de sigilo" de Eduardo Jorge

O PT afirmou que vai protocolar na Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira (14), pedido de instauração de inquérito para apurar a suposta quebra de sigilo fiscal e financeiro do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. Neste sábado, o jornal Folha de S. Paulo, publicou uma denúncia sobre a elaboração de um dossiê contra Eduardo Jorge. Segundo o veículo, a equipe da pré-campanha de Dilma conseguiu "documentos de uma série de três depósitos na conta de EJ no valor de R$ 3,9 milhões".

Segundo nota oficial do partido, o jornal afirma de forma "irresponsável e leviana" que a ação partiu da "equipe de inteligência da pré-campanha de Dilma Rousseff".

"Entramos com representação na PF para apurar suposta quebra do sigilo bancário e fiscal do Eduardo Jorge. Queremos ver a verdade aparecer", escreveu Eduardo Dutra, que presidente do PT, em sua página no Twitter.

Ainda de acordo com o comunicado oficial do partido, o PT reafirma que nem o partido nem a coordenação da pré-campanha autorizaram, orientaram, encomendaram, solicitaram, ordenaram ou tomaram conhecimento de qualquer ação dessa natureza.

Que coisa sórdida que um lado da imprensa faz contra a Dilma, contra um governo popular. Inventaram esse dossiê - que todos na Internet sabem que é um livro a publicar do Amaury Ribeiro Jr. sobre a sujeirada da privatização da Telebrás - para caluniar e prejudicar Dilma. O José Serra terá de provar todas as mentiras e calúnias que está fazendo e veiculando na imprensa.

A economia no Brasil vai bem, crescendo 9% ao ano, o Brasil ganhou projeção internacional, o governo Lula tem recordes de popularidade, Dilma está em ascensão. Compreende-se o desespero da oposição, que recorre ao baixo expediente da calúnia e da acusação sem provas.

Pesquisa Sensus em MG: Dilma 37,3% x 32,1% Serra

Pesquisa do Instituto Sensus, restrita a Minas Gerais, realizada nos dias 10 e 11 de junho, aponta Dilma com 5 pontos de vantagem entre os mineiros:

Dilma Rousseff (PT): 37,3% de intenção de votos
José Serra (PSDB): 32,1%
Marina Silva (PV): 7,3%

Estes resultados são da abordagem estimulada (escolha de um nome em uma lista apresentada).

Na espontânea, quando o entrevistado apenas responde em quem deseja votar, sem apresentação de uma lista de nomes, os resultados foram:

Dilma: 24,3%
Serra: 18%
Marina: 4%

Na simulação do 2º turno, Serra caiu 2,3% de 44% em maio para 41,7% em junho. Dilma subiu 1% de 39,5% em maior para 40,5 em junho, chegando ao empate técnico, por hora.

Governador:

Na estimulada:
Hélio Costa (PMDB): 49,5 (tinha 35,3 em maio)
Anastásia (PSDB): 20,7 (tinha 22,7 em Maio)

Na espontânea:
Helio Costa (PMDB): 21,1%
Anastasia (PSDB): 12,2%

Na simulação do 2º turno, Hélio Costa tem 57,3% e Antonio Anastásia 17,6.

A pesquisa ouviu 1.500 eleitores em 53 municípios do Estado. A margem de erro é de 2,5% para mais ou para menos. Está registrada no TSE sob o nº 14.772/2010, e foi encomendada pelo PR (Partido da República).

Juntos, Serra e Quércia. Amor eterno

O PSDB, critica os apoios que o Presidente Lula recebe de antigos adversários, como os senadores José Sarney (PMDB) e Fernado Collor (PTB), mas o PSDB acaba de aprovar em São Paulo uma aliança que une os tucanos a um velho desafeto: o presidente regional do PMDB, Orestes Quércia, agora candidato ao Senado na chapa de Geraldo Alckmin, que concorre à reeleição ao governo do estado.

O PSDB teve origem em 1988, se contrapondo justamente ao campo dirigido por Quércia, no PMDB. Um grupo de congressistas, formado por José Serra, Fernando Henrique Cardoso e Mário Covas, entre outros, defendia princípios divergentes, mas não tinha força para assumir a direção peemedebista.Criaram então uma agremiação própria, que pudesse ser a vitrine desses interesses.

Antigas rixas são minimizadas em nome de apoios, recursos financeiros e tempo de propaganda na TV. Para os tucanos, que acham ser essa a fórmula para enfrentar um governo Lula com alto índice de aprovação.

Para Maria do Socorro Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos, a aliança paulista é o “tiro de misericórdia” de Quércia para se manter vivo no cenário político. Para ela, a disputa pelo poder “desidratou” os partidos na ideologia

O eleitor quer vencer, não quer desperdiçar o voto – explica Maria. – Está mais informado para fazer o cálculo político e, mais do que a ideologia, usa os programas de governo e os resultados das gestões públicas para tomar decisão.

A Folha já divulgou o dossiê contra EJ

Enviado por luisnassif, ter, 15/06/2010 - 08:34

Na série sobre O Caso de Veja, mostro como a mídia se vale de escândalos e factóides. A intenção não é depurar, fiscalizar o poder público, mas usar como instrumento de marketing, de chantagem ou de jogo político. Mira-se o alvo e vai-se a uma imensa gôndola com escândalos reais ou meros factóides. Tira-se o pacote, fuzila-se o alvo e parte-se para outra.

Essa imensa bobagem da Folha com o suposto dossiê contra Eduardo Jorge é uma bela lição didática do uso desses recursos por parte de um jornal que perdeu totalmente o discernimento.

A blogosfera já cansou de desmentir o dossiê. Mostrou que é um livro de jornalista consagrado, que levantou as informações bancado pelo Estado de Minas. Mais: mostrou que as tais informações do dossiê, divulgadas pela Folha, são públicas e já publicadas há anos. É matéria falsa.

Pior que isso, o jornal posa de vestal, mas quando esses dossiês contra Eduardo Jorge foram efetivamente vazados, a Folha foi quem mais abjetamente divulgou as acusações. Fui o único jornalista a me insurgir contra o massacre perpetrado por procuradores e pelo próprio jornal. O Clóvis Rossi deu o braço a torcer só depois do EJ absolvido. Os demais jornalistas, nem isso.

Clique aqui para conferir várias matérias publicadas pela Folha, usando inclusive o tal dossiê a que ela se refere agora.

O link tem matéria do Josias de Souza, de 28/09/2003

LIGAÇÕES PERIGOSAS

Auditores da Corregedoria da Receita Federal apreendem correspondência eletrônica que reaviva caso

Em carta, EJ conta como "protegeu" as suas empresas

JOSIAS DE SOUZA
DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

E tem também seu artigo de ontem, sobre o neonovissimo dossiê.

Aqui, um pequeno exemplo (a íntegra está no link). Na sequência, o editorial de hoje.

Da Folha, de 6 de junho de 2001

Documento da Receita fala em "indícios de montagem", "atos nebulosos" e "falta de contabilização de dados relevantes"

Relatório aponta "divergências" em IR de EJ DAVID FRIEDLANDER
DA REPORTAGEM LOCAL

Relatório sigiloso, que circulou entre autoridades do governo, afirma que há uma série de "divergências, atos nebulosos e falta de contabilização de dados relevantes" nas declarações de renda de Eduardo Jorge Caldas Pereira, ex-secretário-geral da Presidência da República.

O documento, preparado pela delegacia da Receita Federal em Brasília, relata cerca de oito meses de uma investigação iniciada em agosto de 2000, sobre a evolução patrimonial do ex-secretário depois de sua saída do governo.

É a primeira vez que se descobre um documento do próprio governo que coloca em dúvida os negócios particulares de EJ. Desde que ele começou a ser investigado, por possibilidade de enriquecimento ilícito, apenas procuradores federais e políticos de oposição tinham questionado a conduta do ex-secretário LEIA MAIS.

Da Folha de hoje

Inteligência aloprada

Os índices de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não refletem apenas sua empatia popular. São também fruto da capacidade que demonstrou, como governante, de preservar as conquistas de seu antecessor e avançar no crescimento econômico e na distribuição de renda, por meio de medidas como a elevação do salário mínimo, o aumento do crédito e a ampliação do programa Bolsa Família.

Bem sucedido no plano interno, Lula também fez fama no palco global. Tornou-se uma espécie de "popstar" da política emergente, o "cara" com quem chefes de Estado de variadas procedências querem aparecer na fotografia.

Tudo isso, como se sabe, confere ao presidente um papel relevante na disputa eleitoral -que ele tem exercido, aliás, com mais desenvoltura do que o recomendável. Fala o que deseja, quando deseja, onde deseja, como se pairasse acima do bem e do mal.

Multado cinco vezes por ferir as regras eleitorais, chegou ao cúmulo de tratar juízes de maneira jocosa, em sintomático menosprezo ao Poder Judiciário.

No domingo passado, durante o lançamento da dupla Dilma Rousseff e Michel Temer, Lula não ofendeu a lei, mas a realidade. Ao afirmar que seus oponentes "inventam" dossiês e fazem "jogo rasteiro", o presidente, sem cerimônia, inverteu os fatos e usou seu peso político para, mais uma vez, acobertar correligionários.

Até aqui, vieram dos bastidores petistas as evidências sobre montagens de dossiês para atingir rivais. Além da investida contra o candidato José Serra e membros de sua família, a "equipe de inteligência" de Dilma levantou dados fiscais e financeiros sigilosos do tucano Eduardo Jorge, conforme a Folha revelou no último sábado.

Repete-se o que ocorreu na campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista -quando petistas tentaram forjar um dossiê contra o rival do PSDB.

Naquela ocasião foi o próprio Lula quem escolheu o termo que acabou por batizar os afoitos companheiros. Ficaram conhecidos como "aloprados" -expressão que, pelo visto, não perdeu a validade quatro anos depois.

PT contraiu vícios da política nacional (Editorial)

Deu em O Globo

Já é parte da História o momento em que dois líderes da frente de resistência à ditadura militar decidiram seguir caminhos diferentes, tão logo o país tomou o rumo da redemocratização. Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, o sociólogo renomado e o metalúrgico forjado no novo movimento sindical surgido no ABC paulista, divergiram sobre como continuar a luta política. Um optou por trajar um figurino mais ao estilo da social-democracia europeia, e o outro, continuar com o macacão do chão de fábrica e lançar um partido classista.

O PT, por essas caraterísticas, teria mesmo imensas dificuldades de chegar ao poder em Brasília. Constituído de algumas frações da esquerda, o partido caiu nas graças das faixas mais instruídas da população urbana — mesmo assim apenas nos grandes centros ---- e ficou distante das massas. Numa simplificação, era um partido de trabalhadores com poucos trabalhadores no seu eleitorado. Bem votado nos Jardins paulistanos e na Zona Sul carioca, o PT capturou cerca de 30% do eleitorado nacional, e parou de crescer.

Em objetiva entrevista ao GLOBO, publicada sábado, Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, amigo da candidata Dilma Rousseff, e um dos coordenadores de sua campanha, explicou a metamorfose pelo qual o partido passou para conseguir chegar lá: “Não somos mais um partido que coloca a ideologia como uma máscara, como óculos escuros para não enxergar a realidade política”.

É o que Lula havia percebido ao ser derrotado pela terceira vez numa eleição presidencial — duas delas pelo antigo companheiro de trincheira. Antes fechado a alianças, o partido se abriu a elas, colocou na chapa de Lula um empresário, e assim quebrou a barreira dos 30% dos votos. Houve mesmo um amadurecimento do partido, ao deixar no passado a origem classista.

O problema criado na mudança foi quanto à ética. “Operamos com a realidade política do jeito que ela é, para melhorá-la, para transformá-la. Foi o que o presidente Lula fez nestes últimos oito anos”, disse Pimentel. Concorde-se com a primeira parte da declaração; quanto ao desejo do PT de transformar a realidade política, trata-se de um exagero.

Os tucanos, para governar, também se aliaram a forças à direita. O PT não inovou. A surpresa se deu pela forma até mesmo ávida com que altos escalões partidários se lançaram a práticas abomináveis e antigas da política brasileira: a fisiologia, o clientelismo e o patrimonialismo. Aliás, mazelas também presentes em segmentos do tucanato.

A cultura de antigos desvios se misturou a conceitos e cacoetes da esquerda, e o que se viu foi a ideia de que os fins justificam os meios por trás do escândalo do mensalão, quando dinheiro sujo, inclusive desviado de cofres públicos, foi usado para literalmente comprar apoios no Congresso (o “fim” justificado).

Na atual campanha, o centralismo democrático, tão praticado nos partidos comunistas tradicionais, é usado sem remorso no PT para enquadrar militantes em certos estados e forçá-los a apoiar conhecidas oligarquias regionais. É legítima, e até correta, a intenção do PT de ser o partido da nova classe média em fase de crescimento — como declarou Pimentel.

Todo partido que se preze não pode desconhecer o fenômeno. É de fato melhor para a democracia um PT não messiânico e disposto a negociar alianças. Mas, até agora, ele em nada contribuiu para modernizar a política brasileira. Pelo contrário, contraiu seus vícios.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Se José Serra fosse eleito…


Se José Serra fosse eleito (mas não será), ganharia de presente um país que o PSDB, desacostumado ao êxito, jamais sonharia em construir com esforço e competência próprios – como provou em seus governos municipais, estaduais e federal. Poria as mãos num Brasil reformado, sólido e próspero, com US$ 250 bilhões em caixa e imensas obras de infra-estrutura em andamento que o fariam sentir-se 100 vezes maior que um mero gerenciador do anel viário paulista da famiglia PSDB. Um país com um mercado interno aquecido e com 27 milhões de novos consumidores emancipados nas políticas sociais. Um país que gerou 15 milhões de empregos em 8 anos e um mercado de crédito consignado superando a casa de R$ 1 trilhão.

Se José Serra fosse eleito (mas não será), teria uma arrecadação de impostos e tributos federais da ordem de R$ 80 bilhões mensais para devolver à sociedade em forma de serviços. Arrecadação ascendente, resultante do excelente desempenho da economia deixado pelo seu antecessor.

Se José Serra fosse eleito (mas não será), levaria ainda um sentimento popular de patriotismo renovado e esperançoso que – somado ao trunfo catalisador de sediar uma Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos – o faria sentir-se um imperador romano.

Se José Serra fosse eleito (mas não será), tudo isso saberiam muito bem capitalizar em benefício próprio o PSDB e a elite conservadora, conduzidos pelo seu novo presidente, especialista mor em se apropriar dos créditos de feitos alheios. Assinariam seus nomes nos eventos esportivos, nas obras do PAC em andamento, no sucesso internacional do país, cobrindo os verdadeiros créditos com a cumplicidade do PIG – sócio incansável, dedicado e afinado às causas de ambos – que cuidaria da tarefa de reescrever a história, reduzindo os mandatos do presidente Lula a uma insignificância extrema.

Se José Serra fosse eleito (mas não será), teria estatais suculentas, prontas para o mercado das trapaças privatizantes conhecidas no passado pelo codinome “enxugamento do estado” ou “estado mínimo”. Trapaças travestidas de benefícios à máquina administrativa e à “nação”, orquestradas pelos mesmos maestros do período FHC, que executariam a mesma marcha fúnebre durante a sutil diluição do patrimônio brasileiro. Entre elas, é claro, estaria a grande vedete, a peça mais cobiçada a ser levada ao abate num leilão macabro de cartas marcadas: a Petrobrás. Valorizada pelo pré-sal, a empresa seria ofertada na mesma bandeja da negociatas engavetadas desde o primeiro mandato de FHC e para as mesmas multinacionais que há anos salivam em torno deste tesouro brasileiro. Negociata que movimentaria rios de dinheiro, atrairia à surdina dos bastidores os mesmos intermediários comissionados que enriqueceriam da noite para o dia. Tramóia que iria restabelecer o duto de escoamento das riquezas do nosso solo para as mãos dos mesmos banqueiros internacionais, ávidos por capital fresco que venha a socorrê-los na recente crise da qual ainda tentam se recuperar.

Se José Serra fosse eleito (mas não será), não se faria de rogado: negaria o Mercosul e seus “indiozinhos caboclos”, realinhando suas prioridades financeiras a Wall Street, como nos velhos tempos. Romperia com austeridade quixotesca os laços com os governos populares latino-americanos exigindo a deposição de todos os seus presidentes aos quais acusaria de ditadores golpistas e lideraria suas nações em caravana orgulhosa rumo ao lar da velha, gentil e maternal esfera de influência do Tio Sam.

Se José Serra fosse eleito (mas não será), se esforçaria em repetir a medíocre e desastrosa gestão frente ao governo de São Paulo sem obter êxito de imediato: a robustez econômica e estrutural deixada pelo seu antecessor levaria dois mandatos para ser totalmente dilapidada, pois, diferentemente de São Paulo, o país não lhe teria sido entregue já estagnado pelo fracasso dos governantes anteriores que “casualmente” pertenciam ao seu próprio partido.

Se José Serra fosse eleito (mas não será), depois de extinguir ou renomear toda a obra de seu antecessor, e quando o país já estivesse devidamente “devolvido” ao século 20, pouco lhe importaria fazer sucessor, compromissado que sempre foi exclusivamente com seu próprio umbigo. Assistiria debochadamente aos caciques furiosos do PSDB/DEM digladiarem-se para ocupar seu trono, sabendo que, depois de todo o estrago feito nas areias estéreis de sua inépcia, a esquerda recuperaria o país para tentar, novamente, reparar os enormes danos deixados pelo seu governo.

Se José Serra fosse eleito (mas não será) – enfim – contrataria algum editor de livros de auto-ajuda para escrever sua última fraude: a biografia de “Um brasileiro vitorioso”. O texto seria tão épico e fantasioso que até ele, em processo de senilidade avançada, acreditaria finalmente que é o autêntico “O Cara”. Título ao qual alguns historiadores da pocilga colocariam uma destacada ressalva: que, em verdade, seu êxito só foi alcançado graças às políticas econômicas e estruturais deixadas pelo antecessor de seu antecessor: o inesquecível visionário Fernando Henrique Cardoso!

A fantasiosa “isenção” do PIG

Do blog da cidadania
No último fim de semana, a imprensa veiculou declaração do presidente Lula sobre a diferença de cobertura que a Globo deu às convenções do PSDB e do PMDB que escolheram os candidatos que os partidos apoiarão na disputa pela Presidência da República.

Diante da gritante desproporção entre os tempos dispensados pelo Jornal Nacional para as convenções que escolheram Serra e Dilma, Lula disse – sem citar a Globo – que veículos que tivessem preferências partidárias deveriam assumi-las para que o eleitor de Dilma mudasse de canal quando aquele veículo estivesse fazendo campanha.

A Globo acusou o golpe e deu amplo espaço, em seu último programa dominical “Fantástico”, para a convenção do PT. Devo dizer que foi uma cobertura correta, equivalente à de Serra.

Fica cada vez mais claro, portanto, que a Globo – e a Folha,o Estadão, a Veja e os seus tentáculos na imprensa nacional – não pretende assumir sua opção eleitoral coisa nenhuma, pois acredita que a imagem de isenção é a que melhor favorece o sucesso de sua campanha dissimulada para José Serra.

Contudo, basta uma rápida lida nos jornais da coalizão tucana para detectar a enorme diferença de tratamento que é dado aos dois grupos políticos e, sobretudo, aos seus candidatos a presidente.

Para Lula, Dilma e o PT abundam termos e expressões pejorativas, julgamentos de valor sem qualquer base factual, oriundos apenas de opiniões e preferências. Para Serra, uma maioria gritante de elogios e raríssimas críticas, além de repetitivo endosso às teses tucanas.

Vejam, por exemplo, o que se pode extrair rapidamente dos jornais desta segunda-feira. Depois, que cada um procure coisa semelhante em relação a Serra nos mesmos veículos. Ao fim, que se tire as conclusões inevitáveis sobre essa fantasiosa isenção que a imprensa se atribui.

Correio Brasiliense

Na oficialização da candidatura de Dilma à Presidência, PT “desbota” o vermelho das bandeiras e direciona o discurso para o público feminino, ainda resistente ao nome da ex-ministra de Lula
Lula, sombra indispensável
Serra arregaça as mangas
Serra foi bastante aplaudido
O Estado de São Paulo

· Presidente domina festa de oficialização da candidatura da ex-ministra
Dilma fez um discurso de 50 minutos, mas não empolgou os militantes.
Ainda sem entusiasmar a plateia, que soltava tímidos aplausos, Dilma comparou o Brasil de gestões passadas
Ao defender um governo de coalizão, Dilma parecia à vontade ao lado dos novos aliados – desafetos do PT num passado não muito distante, como o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP)
Dilma é candidata por falta de opção
O PT continua sendo o partido dos pobres, mas não da ética
Ao discursar, o presidente disse que mudou de nome nesta eleição, para Dilma. E que ela o representará na urna eletrônica. Só falta agora Lula ir à TV e, ao melhor estilo Enéas, bradar: “Meu nome é Dilma.”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofuscou a ex-ministra na convenção de ontem
Presidente Lula empata com Figueiredo [último ditador militar]
O Globo

· Dilma acabou ofuscada pela desenvoltura do presidente no palanque
Serra se beneficia daquilo que a população enxerga como a grande obra de FHC – o fim da hiperinflação – e mais ainda da sua notável gestão à frente da Prefeitura e do Estado de São Paulo
A população parece querer mais do que apenas manter conquistas importantes
Não nos deixemos enganar pela visão equivocada de que o País está muito bem, que é só pisar o pé no acelerador, manter as políticas atuais e em breve seremos uma potência mundial.
Ao se colocarem a serviço direto, sem disfarces, da candidatura de Dilma Rousseff à presidência, a infração menos grave que as centrais sindicais cometeram foi a “antecipação” da campanha
Ninguém é insubstituível. A alternância está no DNA da democracia. Lula tem méritos? Inúmeros. Mas sua maior grandeza, seu genuíno serviço, seria a renúncia ao projeto pessoal de perpetuação no poder.
A cúpula do PSDB vem cobrando explicações do PT sobre a elaboração de um dossiê contra seu candidato à Presidência, José Serra
Jingle associando a candidata à palavra “coroa” gera protesto de militantes do movimento de mulheres
Na área externa do salão [da convenção do PT], uma barraquinha vendia DVDs piratas
Valor Econômico

O Brasil pode estar ganhando respeito no front econômico, mas quanto à liderança geopolítica, Lula acaba preservando imagem de país ressentido e com complexo de Terceiro Mundo
O Brasil ainda não está pronto para ter um lugar de destaque nos círculos internacionais
Lula está prejudicando a reputação do Brasil em nome de sua própria gratificação política.
No mais contundente discurso político desde o início da pré-campanha à Presidência da República, José Serra foi oficializado candidato do PSDB acusando o governo de desdenhar a democracia, menosprezar o Estado de Direito, intimidar a imprensa, sustentar “organizações pelegas” e tentar aniquilar a oposição “pelo uso maciço do aparelho e das finanças do Estado”. Os adversários foram classificados de “neo-corruptos”.
Folha de São Paulo

À sombra de Lula, Dilma promete “alma de mulher”
No final de seu discurso, Lula lembrou que pela primeira vez, desde 1989 (…)Foi como uma cena de sexo explícito (…) Dilma apenas sorria, empetecada
Depois que Serra o comparou a Luís 14, Luiz da Silva à sua maneira responde: Dilma sou eu! Expôs ao mesmo tempo a força da candidatura e a fragilidade da candidata.
Dilma tomou a palavra. Fez um discurso tecnocrático, modorrento, sem ênfases ou graça. A plateia se dispersou e cochichava bastante.
Se o projeto petista fosse um filme de Hollywood, James Cameron poderia ser o diretor. O roteiro teria Lula enviando seu avatar para a campanha.
Sobre Dilma governar “com o nosso amor”, a frase é incompleta. Haveria mais rigor num verso falando em administrar o país “com o nosso amor, e também com Sarney, com o PP de Maluf, o PMDB e seu apetite por cargos e com o PR de Valdemar Costa Neto”.
Lula zarpou do evento assim que Dilma encerrou sua fala para não dividir holofotes com a candidata.
A campanha de Dilma tenta organizar um convescote para que ela assista à estreia do Brasil na Copa
A campanha de Dilma Rousseff usou ontem um logotipo que lembra o utilizado na campanha de Barack Obama
Lula sabe que Dilma está longe de empolgar
O discurso de Dilma foi longo, ainda num tom monocórdico, deixando a militância sonolenta.
Num encontro previsível, com uma militância comportada e ensaiada, o roteiro buscou fazer de Dilma a personagem principal do evento.
Lula vai grudar sua imagem mais do que nunca em Dilma. Tanto que o eleitor realmente pode votar na petista pensando estar dando ao presidente um terceiro mandato.
Enquanto Dilma discursava, Lula conversava com sua mulher, Marisa Letícia. Chegou até a bocejar.
O tom enfadonho de Dilma ganhará ares de entusiasmo
Tudo que você leu é apenas parte dos ataques renitentes que a grande imprensa dedica a Dilma, a Lula e ao PT todo santo dia há anos e anos. São deboches, ilações, suposições, fofocas e mentiras, muitas mentiras.

A campanha de Dilma está sempre em crise, ela é apresentada o tempo todo como uma marionete sem cérebro e Lula, como um criminoso que estupra a lei seguidamente e que é capaz de qualquer coisa para eleger a sucessora.

Já sobre Serra, pouco se encontra nos jornais, nas tevês etc. É muito raro ler alguma fofoca ou deboche, a não ser quando reproduzido em falas dos adversários, sempre mostrados como desleais. Sua campanha dificilmente sofre alguma crise (na mídia).

Entre Lula e FHC, são dezenas de vezes por dia, há quase oito anos, que a mídia atribui os sucessos do primeiro ao que o segundo teria plantado, apesar de ter entregue um país escangalhado ao sucessor e de ser repudiado pela maioria esmagadora dos brasileiros.

Enfim, todos os dias, enquanto se diz isenta, a mídia dá reiteradas e fartas provas de seu partidarismo desabrido pró PSDB e, sobretudo, pró Serra. Em minha opinião, negar esse partidarismo só serve para fixar mais na cabeça do eleitor o que é um fato inegável.

No fim deste ano, quando o novo presidente – ou a nova presidenta – já for conhecido, talvez, então, esses impérios de comunicação comecem a dar bola para o que disseram pessoas como eu, que só esses impérios – e seus asseclas – não percebem como seu partidarismo é gritante.

Dilma começa com campanha muito mais arrumada

José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva começaram no último fim de semana, de forma oficial, as campanhas presidenciais. Dilma e Serra aparecem empatados nas últimas pesquisas divulgadas e Marina em terceiro, bem mais atrás. Mas é inegável que a campanha de Dilma começa muito mais arrumada do que a de Serra.

Dilma participou das convenções nacionais de PT, PDT e PMDB e já tem a chapa definida, com Michel Temer na vice. Serra fez a convenção do PSDB e ainda não tem a menor idéia sobre quem será seu candidato a vice. Caciques tucanos tentam encontrar um quadro dentro do partido, mas o DEM já avisou que quer a vaga para um integrante do democratas.

Nas bases partidárias, o problema é bem maior. São muitos os prefeitos tucanos e demistas em todo o país que, a despeito de apoiarem candidatos de seus partidos para os governos estaduais ou ao Senado, declaram abertamente que estarão com Dilma, por reconhecerem que o tratamento dado aos municípios durante o governo do Presidente Lula, é muitíssimo melhor do que o que ocorreu no período FHC.

A grande midia pende obviamente para Serra. Os grandes jornais, as grandes rádios e mesmo TVs. Lula começou seu discurso na convenção do PT falando nisso. "A midia nos bate muito, isso é normal, faz parte da democracia. Mas quando se trata de eleições, a midia tem que ser imparcial ou, no mínimo, declarar quem é seu candidato", discursou o presidente.

Mas esse engajamento militante dos jornalões e de outros veículos em favor de Serra, não parece suficiente para alavancar a candidatura do tucano. Em pouco mais de um ano, Dilma saiu de 3%, 4% nas pesquisas para empatar com Serra, que parece acorrentado nos 38%. A conferir o que dirão as próximas pesquisas, mas a perspectiva é Dilma aparecer à frente de Serra, sinalizando para vitória no primeiro truno.

Claro que Marina pode crescer. Ela fez um bom discurso na convenção do PV, pode atrair mais apoios. O problema é que pode crescer tirando pontos de Serra, o que deixará os tucanos com os nervos ainda mais em frangalhos.

Mas o grande diferencial entre as campanhas é o clima interno nas coligações. Enquanto Dilma enfrenta problemas e vai resolvendo, Serra está acumulando querelas, como essa questão do candidato a vice, a falta de um discurso forte para se contrapor ao governo e visível má vontade por parte dos candidatos regionais, especialmente nos estados onde Lula tem altíssima popularidade. Por temerem perder votos com a associação a José Serra, tentam caminhar sozinhos, ameaçando levar a candidatura presidencial dos tucanos a um isolamento muito grande.

Dilma conta com Lula. E o presidente tem deixado claro que não ficará como mero expectador durante a campanha eleitoral. Como ele mesmo disse na convenção "o bicho vai pegar". Serra já deve ter percebido que o caminho para bater Dilma nas urnas será árduo. Ainda mais que o presidente, o mais bem avaliado dos últimos cinquenta anos dá mostras de que vai para o enfrentamento contra a oposição que o atormentou sem tréguas durante esses quase oito anos de governo.